Crónicas Oncológicas

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Eu sou eu e as minhas circunstâncias

14/07/2026

Uma hora de atenção à conversa social, mesmo que seja apenas como ouvinte, é extenuante.

O descanso passa pela paz do silêncio, pelo pensamento parado.

Cansam os comentários repetidos, as perguntas repetidas, mas também cansam os desabafos de quem só quer aliviar uma dor, um pensamento, um problema.

É possível sentir cansaço por estar simplesmente? Sim. É.

Às vezes sabe bem estar só.
Não ter de compreender, não ter de acompanhar o raciocínio, não ter de estar concentrada.

Às vezes só é preciso deixar o nosso Eu ser abraçado pela tranquilidade que existe num momento em que sentimos que o Mundo somos nós!

14/07/2026

Cancro e Alimentação: Os Mitos Que Precisamos de Deixar Para Trás

Poucos temas geram tantas discussões, tantos conselhos contraditórios e tanta desinformação como a alimentação no cancro.

🗣️ Basta alguém receber um diagnóstico para começar a ouvir recomendações vindas de todos os lados.
“Corta completamente o açúcar.”
“O jejum mata as células cancerígenas.”
“A dieta cetogénica cura o cancro.”
“Há alimentos alcalinos que impedem o crescimento do tumor.”
“Há superalimentos que fazem milagres.”

Perante tantas informações, é normal que doentes e famílias se sintam perdidos.
A verdade é simples: a alimentação desempenha um papel importante na saúde e na tolerância aos tratamentos, mas muitas das promessas que circulam nas redes sociais não são apoiadas pela ciência.

Hoje vamos separar os factos dos mitos.

🍭 “O açúcar alimenta o cancro?”

Talvez este seja o mito mais conhecido.
A resposta curta é: não, deixar de comer açúcar não faz o cancro desaparecer.

É verdade que as células cancerígenas consomem glicose. Mas existe um detalhe fundamental: praticamente todas as células do nosso corpo precisam de glicose para funcionar, incluindo o cérebro, os músculos e o coração.

Quando deixamos de ingerir açúcar, o organismo continua a produzir glicose a partir de outras fontes, como proteínas e gorduras. Não é possível “matar o cancro à fome” eliminando completamente o açúcar da alimentação.

Isto significa que devemos consumir açúcar sem limites?
Também não.
Uma alimentação rica em bebidas açucaradas e produtos ultraprocessados está associada ao excesso de peso e à obesidade, factores que aumentam o risco de vários tipos de cancro. Mas isso é muito diferente de dizer que “o açúcar alimenta o tumor”.

🥓 “A dieta cetogénica trata o cancro?”

A dieta cetogénica é uma alimentação muito rica em gorduras e extremamente pobre em hidratos de carbono.
Nos últimos anos surgiram muitos vídeos e testemunhos a afirmar que esta dieta consegue travar ou até curar o cancro.
O problema é que a ciência ainda está longe de provar que funciona.

Existem estudos laboratoriais e alguns ensaios clínicos preliminares que procuram perceber se a dieta cetogénica poderá complementar determinados tratamentos em situações muito específicas. No entanto, neste momento, não existe evidência científica robusta que demonstre que a dieta cetogénica cura o cancro ou substitui os tratamentos oncológicos convencionais.

Além disso, em doentes fragilizados, uma dieta muito restritiva pode aumentar a perda de peso e de massa muscular, precisamente aquilo que queremos evitar.

🍽️ “O jejum ajuda a combater o cancro?”

O jejum intermitente tornou-se extremamente popular.
Alguns estudos em animais sugerem que períodos controlados de jejum podem alterar o metabolismo das células tumorais e influenciar a resposta aos tratamentos.

Mas é importante dizer isto com toda a clareza: ainda não existem provas suficientes para recomendar o jejum como tratamento do cancro.
Em muitos doentes, sobretudo durante a quimioterapia, o verdadeiro desafio é exactamente o oposto: conseguir ingerir calorias e proteínas suficientes para manter o peso e a força muscular.
Sem supervisão médica e nutricional, o jejum pode ser perigoso.

🍋 “Os alimentos alcalinos protegem contra o cancro?”

Não.
O corpo humano controla o pH do sangue através de mecanismos extremamente sofisticados que envolvem os pulmões, os rins e vários sistemas hormonais.

Comer limão, bicarbonato, água alcalina ou determinados vegetais não altera de forma significativa o pH do sangue nem “neutraliza” as células cancerígenas.
Isto não significa que frutas e vegetais não sejam importantes.
São fundamentais para uma alimentação equilibrada.
Mas não existem alimentos milagrosos.

✋ “Existem superalimentos anticancro?”

Mirtilos.
Gengibre.
Curcuma.
Sementes de chia.
Chá verde.
Todos estes alimentos podem fazer parte de uma alimentação saudável.
Mas nenhum deles cura o cancro.

A ideia de que existe um alimento extraordinário capaz de compensar uma alimentação desequilibrada é um mito.

A ciência aponta noutra direcção: o mais importante é o padrão alimentar global e não um alimento isolado.

🤷‍♂️ Então, afinal, o que devemos comer durante o cancro?

Não existe uma dieta universal que sirva para todos os doentes.
As necessidades nutricionais de uma pessoa com cancro do pulmão avançado são diferentes das de alguém com cancro da mama localizado ou de um doente submetido a um transplante de medula óssea.

Mas existem princípios gerais que reúnem consenso científico.
Dar prioridade às proteínas para preservar a massa muscular.
Consumir frutas, legumes e cereais integrais quando tolerados.
Adaptar a textura dos alimentos em caso de dificuldade em engolir.
Fazer refeições pequenas e frequentes quando o apetite é reduzido.
Recorrer a suplementos nutricionais quando necessário.

Acima de tudo, evitar dietas extremas sem acompanhamento especializado.

🛐 Um dos maiores perigos: a culpa

Talvez o mito mais cruel seja este.
Há pessoas que se culpam de terem desenvolvido cancro porque “comeram mal”.
Outras sentem culpa quando comem um bolo ou um gelado durante os tratamentos.

A realidade é muito mais complexa.
O cancro resulta da interação entre genética, envelhecimento, ambiente, tabaco, álcool, infeções, obesidade e muitos outros factores.
Nenhum alimento isolado explica, por si só, o aparecimento ou a evolução da doença.
Comer deve continuar a ser, sempre que possível, um momento de prazer, convívio e conforto.

📢 A grande mensagem

A alimentação é importante.
Pode ajudar a tolerar melhor os tratamentos.
Pode contribuir para preservar a força, a massa muscular e a qualidade de vida.
Mas a alimentação, por si só, não cura o cancro.
Desconfie de quem promete soluções simples para uma doença complexa.
Na oncologia, as respostas fáceis raramente são as respostas certas.

👂 Agora queremos ouvir-vos

Que conselhos sobre alimentação recebeu depois do diagnóstico?
Alguma vez lhe disseram para eliminar completamente o açúcar?
Já ouviu falar da dieta cetogénica ou do jejum como tratamento?
Quais foram os mitos mais difíceis de desmontar?

Partilhe a sua experiência nos comentários. Muitas pessoas estão perdidas no meio de informações contraditórias e o seu testemunho pode ajudá-las.

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O feedback dos subscritores tem sido extraordinário.
Nas últimas semanas, dezenas de pessoas disseram-nos exatamente a mesma coisa: finalmente encontraram um lugar onde a oncologia é explicada de forma simples, rigorosa e humana.

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📩 Temos também recebido muitas perguntas por email. Questões sobre tratamentos, exames, termos médicos ou efeitos secundários. Não diagnosticamos ou prescrevemos por email, mas os nossos conselhos podem ser úteis em qualquer fase da doença. Assim, todas as questões recebem resposta rápida, clara e fundamentada.

E isto é apenas o começo.
Nos próximos meses, o glossário continuará a crescer, novos conteúdos exclusivos serão adicionados e os subscritores terão um papel cada vez mais importante na escolha dos temas que iremos abordar.

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07/07/2026
07/07/2026

Radioterapia: Os Efeitos Secundários Que Deve Conhecer

A radioterapia é um dos tratamentos mais utilizados no combate ao cancro.
Mais de metade dos doentes oncológicos irá necessitar de radioterapia em algum momento da doença.

Apesar disso, continua a ser um dos tratamentos menos compreendidos.
Muitas pessoas chegam ao primeiro dia com muito receio.
Perguntam se vão ficar radioactivas.
Se podem abraçar os filhos.
Se vão perder o cabelo.
Se vão sentir dor durante o tratamento.

A resposta à maioria destas perguntas é tranquilizadora.
Mas também é importante não transmitir a ideia errada de que a radioterapia não provoca efeitos secundários.

Provoca!

🙌 A boa notícia é que a maioria pode ser prevenida, reconhecida precocemente e tratada de forma eficaz.

O primeiro passo é perceber como funciona.
Ao contrário da quimioterapia, que circula por todo o organismo, a radioterapia é um tratamento local.
O objectivo é destruir o ADN das células cancerígenas exactamente na zona onde a radiação é dirigida, preservando o máximo possível os tecidos saudáveis que a rodeiam.

É precisamente por isso que os efeitos secundários dependem da parte do corpo que está a ser tratada.

♨️ A pele é o órgão mais frequentemente afectado

Tal como acontece com uma queimadura solar, a pele pode reagir à radiação.
Inicialmente pode surgir vermelhidão.
Mais tarde, a pele pode ficar mais escura, seca, sensível ou começar a descamar.

Na maioria dos casos estas alterações aparecem de forma gradual ao longo das semanas de tratamento.
Hoje sabemos que cuidar da pele desde o primeiro dia faz diferença.

Lavar suavemente a zona irradiada com água morna e sabonetes suaves.
Secar sem esfregar.
Aplicar os cremes recomendados pela equipa de radioterapia.
Usar roupa larga de algodão.
Evitar sol directo na área irradiada durante o tratamento e nos meses seguintes.
Evitar perfumes, álcool e produtos irritantes sobre a pele tratada.

Nunca aplique um creme apenas porque alguém lhe aconselhou.
Nem todos os produtos são adequados durante a radioterapia.

🫩 A fadiga também acontece na radioterapia

Muitas pessoas pensam que a radioterapia provoca apenas problemas na pele.
Não é verdade.
Um dos efeitos secundários mais frequentes é a fadiga.
Não se trata de preguiça.
Nem de falta de vontade.
O organismo está diariamente a reparar tecidos saudáveis afectados pela radiação, enquanto continua simultaneamente a combater a doença.

Além disso, muitos doentes continuam a trabalhar, deslocam-se diariamente ao hospital e vivem sob enorme pressão emocional.
Tudo isto contribui para o cansaço.

Curiosamente, a melhor estratégia continua a não ser permanecer deitado todo o dia.
Tal como acontece na quimioterapia, o exercício físico adaptado é uma das intervenções com melhor evidência científica para reduzir a fadiga.
Uma caminhada diária, quando possível, ajuda frequentemente mais do que o repouso absoluto.

🙂‍↔️ Quando a radioterapia é feita na cabeça e pescoço

Esta é uma das localizações onde os efeitos secundários podem ser mais exigentes.
A boca pode tornar-se muito seca.
Podem surgir feridas dolorosas.
O paladar altera-se.
Engolir pode tornar-se difícil.
Algumas pessoas deixam de conseguir comer alimentos sólidos.

Nestes casos, a higiene oral torna-se ainda mais importante.
Escovar cuidadosamente os dentes.
Manter a boca hidratada.
Beber pequenos goles de água frequentemente.
Evitar álcool e tabaco.

Quando a alimentação começa a tornar-se insuficiente, a intervenção precoce de um nutricionista pode evitar perdas importantes de peso.
Quanto mais cedo se actuar, melhores costumam ser os resultados.

🫁 Radioterapia ao tórax

Quando o pulmão ou o esófago estão incluídos no campo de tratamento podem surgir dificuldades em engolir.
Alguns doentes descrevem uma sensação semelhante a uma queimadura ao engolir alimentos.
Nesta fase costuma ser mais confortável optar temporariamente por alimentos macios, mornos ou frios.

Também pode surgir tosse seca ou falta de ar.
Embora muitas vezes sejam efeitos esperados do tratamento, qualquer agravamento significativo deve ser comunicado rapidamente, pois poderá indicar uma pneumonite induzida pela radioterapia, uma complicação pouco frequente mas potencialmente importante.

🫃 Radioterapia ao abdómen e à pélvis

Quando parte do intestino recebe radiação podem surgir diarreia, cólicas e aumento da frequência das dejeções.
Manter uma boa hidratação torna-se fundamental.
Em muitos casos ajuda reduzir temporariamente alimentos muito gordurosos, picantes ou ricos em fibra insolúvel, seguindo sempre as orientações da equipa clínica.

Também a bexiga pode ficar temporariamente mais sensível.
Pode surgir vontade frequente de urinar, ardor ou desconforto.
Na maioria dos casos estes sintomas melhoram após o fim do tratamento.

☢️ A radioterapia não torna o doente radioactivo

Este continua a ser um dos maiores mitos.
A radioterapia externa não deixa radiação dentro do corpo.
Quando termina cada sessão, não existe qualquer perigo para familiares, crianças ou animais de estimação.
Pode abraçar os seus filhos.
Pode pegar ao colo os seus netos.
Pode dormir ao lado do seu companheiro.

Existem algumas excepções em tratamentos muito específicos de medicina nuclear ou braquiterapia, mas essas situações são explicadas individualmente pela equipa de saúde.

🤐 Nunca sofra em silêncio

Existe uma tendência para pensar:
"Se estou a fazer radioterapia, isto deve ser normal."
Muitas vezes é.
Mas mesmo quando um sintoma é esperado, isso não significa que tenha de o suportar sem ajuda.
Hoje existem tratamentos eficazes para aliviar a dor, proteger a pele, melhorar a alimentação, controlar a diarreia e reduzir muitos outros efeitos secundários.
Quanto mais cedo pedir ajuda, melhor.

📢 A grande mensagem

A radioterapia salvou milhões de vidas.
É um tratamento extremamente preciso e muito mais seguro do que era há algumas décadas.
Os seus efeitos secundários existem.
Mas, na maioria das situações, são temporários, previsíveis e tratáveis.
O conhecimento continua a ser uma das melhores ferramentas para enfrentar o tratamento com confiança.
Porque quando sabemos o que esperar, deixamos de ter medo de tudo.

👂 Agora queremos ouvir-vos

Já fez radioterapia?
Qual foi o efeito secundário que mais o surpreendeu?
Que conselho daria hoje a alguém que vai iniciar este tratamento pela primeira vez?
Partilhe a sua experiência nos comentários.
O seu testemunho pode ajudar outra pessoa a enfrentar este caminho com muito menos medo.

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06/07/2026

As recomendações dos meus médicos (quimio e rádio) e equipas de enfermagem em relação à alimentação foi:
- tudo o mais fresco e limpo possível.
- Chás de camomila, limão e tília.
- proibido: alimentos crus
- coma legumes: muito bem lavados - fora de casa, cuidado.
- coma fruta: cuja casca possa ser retirada.
- coma o que lhe apetecer e conseguir.
- truques: coma pouquinho mas várias vezes ao dia
- coma frio
- coma sopa

- beba água. Hidrate-se Acima de tudo: hidrate-se!!!

Se lhe apetecer descansar, descanse. Se lhe apetecer mexer, mexa-se. Mas não faça esforços!

E a acompanhar estas recomendações que aqui estão sintetizadas, uma lista com medicamentos a utilizar no caso de variados sintomas aparecerem.

Para quem está a viver com um monte de dúvidas, medos, incertezas... isto é informação a mais para registar e processar. Primeiro vem a ansiedade e o medo. Depois, a tentativa de organizar para pensar.

As recomendações foram seguidas escrupulosamente.
Pedi licença para tomar um único café. Com leite. Ao pequeno almoço.
Licença concedida sob estrita vigilância dos efeitos possíveis.
Nenhum se manifestou e o pequeno almoço manteve-se como o conforto que iludia a normalidade alterada.

Passadas duas semanas do final dos tratamentos, o apetite desapareceu por completo.

Há dias em que até a primeira refeição do dia é custosa e precisa de distração para ser feita.

Há dias em que a hidratação é feita com melancia, melão e gelatina, porque nem a água consigo beber.

Sim, é mais difícil o depois, do que o durante.

25/06/2026

5 Factos Que Todo o Doente Oncológico Devia Saber Antes de Começar um Tratamento

Receber um diagnóstico de cancro muda a vida em poucos segundos.
De repente surgem consultas, exames, decisões difíceis e uma quantidade enorme de informação que nem sempre é fácil de compreender.

🤷 Muitos doentes iniciam o tratamento sem perceber exactamente o que vai acontecer, o que podem esperar e quais as perguntas que deveriam fazer.

A ciência mostra que doentes bem informados participam mais activamente nas decisões, apresentam maior satisfação com os cuidados recebidos e sentem maior controlo sobre a sua situação.

Por isso, antes de iniciar qualquer tratamento, existem algumas coisas fundamentais que todos os doentes deveriam saber.

💊 1. Nem todos os tratamentos existem para curar

Esta é provavelmente a informação mais importante de todas.
Quando ouvimos falar de quimioterapia, imunoterapia, radioterapia ou cirurgia, a tendência natural é assumir que o objectivo é sempre a cura.
Mas a realidade é mais complexa.

Em oncologia, os tratamentos podem ter diferentes objectivos:
• Curar a doença.
• Reduzir o risco de recaída.
• Controlar o crescimento do tumor.
• Aliviar sintomas.
• Melhorar a qualidade de vida.
• Prolongar a sobrevivência.

Nenhum destes objectivos é mais ou menos digno.
Todos são importantes.
O problema surge quando existe um desencontro entre aquilo que a equipa médica pretende alcançar e aquilo que o doente acredita que vai acontecer.

Por isso, uma das perguntas mais importantes que pode fazer ao seu oncologista é simples:
"Qual é exactamente o objectivo deste tratamento?"
Tem o direito de saber.

🤢 2. Os efeitos secundários são reais, mas nem toda a gente os sente da mesma forma

Uma das maiores fontes de ansiedade antes de iniciar tratamento é o medo dos efeitos secundários.
E esse medo é compreensível.
Mas também é importante compreender que as histórias que ouvimos de familiares, vizinhos ou amigos nem sempre representam aquilo que vai acontecer consigo.
Duas pessoas a receber exactamente o mesmo tratamento podem ter experiências completamente diferentes.
Algumas mantêm uma vida relativamente normal.
Outras necessitam de maior apoio.
Além disso, os tratamentos actuais são muito diferentes daqueles que eram utilizados há 20 ou 30 anos.
Hoje dispomos de medicamentos muito mais eficazes para controlar náuseas, vómitos, dor, reacções alérgicas e muitas outras complicações.

O mais importante é comunicar qualquer sintoma à equipa de saúde.
Muitos doentes sofrem desnecessariamente porque acreditam que determinados sintomas são "normais" e têm simplesmente de os suportar.
Na maioria dos casos, existem estratégias para ajudar.

👴 3. O tratamento não combate apenas o cancro. Também afecta o organismo saudável

O objectivo dos tratamentos é destruir células cancerígenas.
Mas algumas células normais também podem ser afectadas.
É precisamente por isso que surgem muitos dos efeitos secundários.

Por exemplo:
A queda de cabelo acontece porque os folículos capilares têm elevada actividade celular.
A mucosite surge porque as células da boca se renovam rapidamente.
A diminuição das células sanguíneas ocorre porque a medula óssea está constantemente a produzir novas células numa divisão rápida.

Compreender este princípio ajuda muitas pessoas a perceber que os efeitos secundários não significam necessariamente que algo esteja a correr mal.
Muitas vezes são uma consequência previsível da forma como o tratamento actua.

🛤️ 4. A sua qualidade de vida continua a ser importante

Existe uma ideia errada de que, após o diagnóstico, tudo deve ser sacrificado em nome do tratamento.
A ciência e a medicina moderna não pensam assim.
A qualidade de vida é um dos pilares fundamentais da oncologia actual.
Controlar a dor.
Controlar as náuseas.
Controlar a falta de ar.
Controlar a ansiedade.
Controlar a fadiga.
Tudo isto faz parte do tratamento.

O objectivo não é apenas viver mais.
É viver o melhor possível.
Se algo está a afectar significativamente o seu bem-estar, fale com a equipa que o acompanha.
Não espere.
Não sofra em silêncio.

🙋‍♂️ 5. Tem o direito de fazer perguntas até compreender

Talvez este seja o conselho mais importante de todos.
Nenhum doente deve iniciar um tratamento sem perceber minimamente aquilo que lhe vai ser administrado.

Tem o direito de perguntar:
O que é este tratamento?
Como funciona?
Quais são os benefícios esperados?
Quais são os riscos?
Existem alternativas?
O que acontece se eu decidir não o fazer?

Perguntar não é desconfiar do médico.
Perguntar é participar activamente nos seus cuidados.
Os melhores resultados acontecem frequentemente quando existe uma verdadeira parceria entre o doente e a equipa de saúde.

📢 A grande mensagem

O cancro muda muitas coisas.
Mas não lhe retira o direito de compreender aquilo que está a acontecer.
Não lhe retira o direito de participar nas decisões.
Não lhe retira o direito de saber quais são os objectivos do tratamento.
Nem lhe retira o direito de colocar todas as perguntas que considerar necessárias.

A informação não elimina o medo.
Mas ajuda a transformá-lo em algo muito mais fácil de enfrentar.
E é precisamente por isso que acreditamos que explicar oncologia de forma clara e acessível pode mudar vidas.

👂 Agora queremos ouvir-vos

Quando iniciou o seu tratamento, qual foi a informação que mais gostava de ter recebido?
Houve alguma coisa que só percebeu semanas ou meses depois?

Se pudesse dar um conselho a alguém que vai começar tratamento amanhã, qual seria?

Partilhe a sua experiência nos comentários. O seu testemunho pode ajudar alguém que está neste momento a enfrentar exactamente os mesmos receios que um dia também sentiu.

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24/06/2026

Por ser uma doença rara entre os homens, o câncer de mama masculino costuma receber pouca atenção.

E muitas vezes, os sintomas são percebidos mais tarde justamente porque a doença não faz parte do imaginário da maioria das pessoas. Por isso, é importante conhecer e se atentar a sinais como surgimento de um caroço na mama ou nas axilas, retração do mamilo, dor de um dos lados da mama e secreção pelo mamilo.

Também é importante saber que, embora possa atingir qualquer homem, alguns fatores estão associados a um risco maior de câncer de mama masculino, como:
🔹 Alteração nos genes BRCA
🔹 Histórico familiar de câncer de mama e ovário
🔹 Idade (mais comum em homens mais velhos)
🔹 Obesidade
🔹 Consumo excessivo de álcool
🔹 Síndrome de Klinefelter
🔹 Radioterapia prévia na região do tórax

Falar sobre o assunto e espalhar esse tipo de informação não beneficia apenas quem pode receber o diagnóstico, isso também ajuda familiares, amigos e profissionais de saúde a reconhecerem sinais de alerta, incentivarem a busca por avaliação médica e contribuírem para que menos casos sejam descobertos tardiamente.

👉 E é justamente por isso que falar sobre o tema é tão importante!

Vamos juntos espalhar informação confiável e de qualidade? Compartilhe este conteúdo e ajude a colocar o câncer de mama masculino em pauta, afinal, quando falamos de saúde, os 1% também merecem ser lembrados!

Acesse o portal Oncoguia para encontrar mais informações sobre o câncer de mama masculino.

24/06/2026

Sim, é o depois que custa.

É depois da quimioterapia que sentimos o cansaço vencer-nos

É depois da quimioterapia que sentimos a pele ainda mais seca, com picadas que nos perturbam o sono

É depois da quimioterapia que o medo cresce e nos consegue abraçar por inteiro como um amante que não se quer despedir

É depois da quimioterapia que o tempo deixa de estar suspenso e parece parar

E sim, é depois da radioterapia que a solidão nos invade por cada poro da pele e nos deixa perdidos, sem norte.

O tempo passa, tudo em nós está diferente, mas ninguém percebe, ninguém acompanha, ninguém se preocupa.

Se continuamos a viver,está tudo bem.

Temos de ter fé, temos de regressar à luta, temos de nos animar, temos de, temos de, temos de.............

E a dificuldade de olharmos para o nosso corpo, por muito igual que esteja, continua.
Agravada pelo medo do futuro.
Agravada pelos efeitos secundários que surgem ou se agravam quando pensávamos que já tudo tinha passado.

Comigo, pioraram as unhas das mãos e dos pés no pós quimio. Algumas ficaram completamente pretas e descoladas. Não caíram, suponho que por eu ter suspendido limpezas e trabalhos manuais e usar luvas sempre.

A pele piorou após uma semana de terminar a radioterapia.
Eu confesso que na mais completa distração, cocei a zona proibida e... talvez tenha sido isso que desencadeou a violenta reação: vermelhão, bolhas e ardência.
Camadas e camadas de creme hidratante não trazem grande alívio mas como estou na segunda semana após radio, acredito que não piore muito mais.
Aguardarei mais dois dias e se não aliviar um pouquinho irei falar à enfermagem da radioterapia.

A vida está ali ao virar da esquina... à minha espera.
Eu não sei quanto tempo mais a vou fazer esperar, mas sei que vou ter com ela um dia destes! ❤️

23/06/2026

Porque Se Fazem Tantos Exames Num Diagnóstico de Cancro?

Uma das primeiras coisas que surpreende muitas pessoas após uma suspeita de cancro é a quantidade de exames que começam a surgir.

Primeiro uma radiografia.
Depois uma TAC.
Mais tarde uma ressonância magnética.
Um PET-Scan
Uma biópsia.
Por vezes uma broncofibroscopia.
Noutras situações uma colonoscopia, uma endoscopia ou uma punção.

🙎 Muitos doentes perguntam-se:
"Mas afinal ainda não sabem o que eu tenho?"
A resposta é que a medicina moderna não trabalha com suposições.

Antes de iniciar qualquer tratamento é necessário responder a várias perguntas fundamentais.
• Que tipo de cancro é?
• Onde começou?
• Qual a sua dimensão?
• Já se espalhou para outros órgãos?
• Quais são as suas características biológicas?
• Existe alguma alteração genética que possa influenciar o tratamento?

Nenhum exame consegue responder sozinho a todas estas questões.
Por isso, cada exame acrescenta uma peça importante ao puzzle.

🏌️ O primeiro objectivo é descobrir se existe realmente um tumor

Em muitos casos tudo começa com sintomas aparentemente simples.
Uma tosse persistente.
Perda de peso inexplicada.
Sangue nas fezes.
Uma massa palpável.
Dor persistente.

O primeiro exame serve frequentemente para detectar se existe alguma alteração suspeita.
Dependendo da situação, pode tratar-se de:
• radiografia;
• ecografia;
• TAC;
• mamografia;
• endoscopia.

Nesta fase procura-se sobretudo identificar se existe alguma lesão que justifique investigação adicional.
Mas encontrar uma lesão não significa automaticamente saber o que ela é.

🙆‍♂️ A TAC: o mapa anatómico do corpo

A Tomografia Axial Computorizada, mais conhecida por TAC, é um dos exames mais utilizados em oncologia.

A TAC produz imagens detalhadas do interior do organismo e permite avaliar:
• tamanho do tumor;
• localização;
• relação com estruturas vizinhas;
• presença de gânglios aumentados;
• possíveis metástases.
No cancro do pulmão, por exemplo, uma TAC pode mostrar uma massa pulmonar, gânglios aumentados no mediastino ou lesões suspeitas no fígado e nas glândulas suprarrenais.

Mas existe uma limitação importante.
A TAC mostra estruturas.
Não mostra a natureza exacta das células.
Por isso, uma TAC nunca consegue confirmar sozinha que uma lesão é um cancro.

💉 A biópsia: o exame que dá o diagnóstico

Se existisse um exame verdadeiramente indispensável em oncologia seria a biópsia.
A razão é simples.
O cancro não se diagnostica apenas pela imagem.
Diagnostica-se através da observação das células ao microscópio.
A biópsia consiste na recolha de uma pequena amostra de tecido que será analisada por Anatomia Patológica.

É este exame que permite responder a perguntas fundamentais:
• É realmente um cancro?
• Que tipo de cancro é?
• Qual o grau de agressividade/divisão celular?
• Existem características específicas importantes para o tratamento?

Sem esta informação seria impossível escolher a melhor estratégia terapêutica.

🫁 Porque é que por vezes é necessária uma broncofibroscopia?

No caso do cancro do pulmão, a broncofibroscopia é frequentemente um dos exames mais importantes.
Trata-se de um procedimento que permite observar directamente o interior das vias respiratórias utilizando uma câmara fina e flexível.

Durante o exame é possível:
• visualizar tumores;
• recolher biópsias;
• obter amostras para análise;
• estudar gânglios através de técnicas especializadas.

A TAC pode mostrar uma lesão.
Mas a broncofibroscopia permite muitas vezes obter o tecido necessário para confirmar o diagnóstico.

Porque é que alguns doentes fazem uma punção pulmonar?

Nem todos os tumores pulmonares estão localizados no mesmo sítio.
Alguns desenvolvem-se perto dos grandes brônquios, as "estradas principais" por onde o ar circula dentro dos pulmões. Nestes casos, uma broncofibroscopia consegue muitas vezes chegar ao local e recolher amostras para análise.

No entanto, muitos tumores surgem mais afastados das vias respiratórias, junto à periferia do pulmão e próximos da parede torácica. Quando isso acontece, a broncofibroscopia pode simplesmente não conseguir alcançar a lesão.

Nestas situações, os médicos recorrem frequentemente a uma biópsia pulmonar transtorácica, também conhecida como punção pulmonar guiada por imagem.

Durante o procedimento, uma agulha é introduzida cuidadosamente através da parede do tórax até ao local da lesão. O percurso é habitualmente guiado por imagem, permitindo localizar o tumor com grande precisão e recolher pequenas amostras de tecido.

O objectivo é simples: obter células do tumor para que o anatomopatologista possa confirmar o diagnóstico e determinar exatamente que tipo de cancro está presente.

⭕ A Ressonância Magnética é particularmente útil para estudar determinadas regiões do corpo.

Ao contrário da TAC, a ressonância utiliza campos magnéticos e não radiação ionizante.

É frequentemente utilizada para avaliar:
• cérebro;
• medula espinal;
• fígado;
• próstata;
• ossos;
• tecidos moles.

No cancro do pulmão, por exemplo, pode ser solicitada uma ressonância cerebral para excluir a presença de metástases no cérebro, mesmo quando a TAC não mostra alterações evidentes.
A razão é o facto da ressonância ser mais sensível para detectar lesões cerebrais pequenas.

😷 O PET-Scan: procurar actividade tumoral em todo o organismo

O PET-Scan é um dos exames mais sofisticados da oncologia moderna.
Ao contrário da TAC ou da ressonância, que mostram sobretudo estruturas anatómicas, o PET-Scan permite observar actividade metabólica.

A maioria das células cancerígenas consome grandes quantidades de glicose.
O exame utiliza uma molécula de glicose marcada com um radiofármaco que permite identificar zonas de maior actividade metabólica.

Isto ajuda a:
• detectar metástases ocultas;
• avaliar extensão da doença;
• selecionar locais para biópsia;
• monitorizar resposta aos tratamentos.

Mas também aqui existem limitações.
Nem todos os tumores são igualmente visíveis no PET-Scan.
E algumas infecções ou inflamações podem produzir imagens semelhantes, ou seja, falsos positivos.
Por isso, o PET-Scan não substitui a biópsia.

🧬 Porque é que se fazem te**es genéticos ao tumor?

Nos últimos anos a oncologia entrou na era da medicina de precisão.
Hoje sabemos que dois tumores aparentemente iguais podem comportar-se de forma completamente diferente.

Por exemplo, no cancro do pulmão podem existir alterações genéticas específicas como:
• EGFR;
• ALK;
• ROS1;
• KRAS;
• BRAF.
Estas alterações podem determinar quais os tratamentos mais eficazes.

Por isso, após a biópsia é muitas vezes necessário realizar estudos moleculares adicionais.
Esta informação pode ser tão importante como o próprio diagnóstico.

💊 O objectivo final: escolher o tratamento certo

Todos estes exames têm uma finalidade comum.
Permitir que a equipa médica conheça a doença com o maior detalhe possível antes de tomar decisões.
A cirurgia indicada para um tumor localizado pode não ser adequada para uma doença metastática.
Uma imunoterapia pode funcionar muito bem num determinado perfil tumoral e ter pouco benefício noutro.

Quanto mais informação existir, maior a probabilidade de escolher a estratégia correcta.

📢 A grande mensagem

Quando um doente recebe uma lista de exames, é normal sentir-se perdido.
É normal sentir ansiedade.
É normal perguntar-se porque são necessários tantos procedimentos.

Mas existe uma razão para isso.
Cada exame responde a perguntas diferentes.
A TAC mostra onde está o problema.
A ressonância acrescenta detalhe.
O PET-Scan mostra actividade tumoral.
A broncofibroscopia ou a colonoscopia permitem chegar ao tumor pelo interior do corpo.
A punção recolhe amostras.
A biópsia confirma o diagnóstico.
Os te**es genéticos ajudam a escolher o tratamento.
Nenhum destes exames existe para complicar o processo.
Existem porque, em oncologia, tratar bem começa por compreender exactamente aquilo que estamos a tratar.

👂 Agora queremos ouvir-vos

Quando recebeu o diagnóstico, qual foi o exame que mais dúvidas ou ansiedade lhe causou?
Sentiu que compreendia para que servia cada exame ou teve a sensação de estar perdido no meio de tanta informação?
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