Jonathas dos Anjos Psicanalista

Jonathas dos Anjos Psicanalista

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Psicanalista/Supervisor
Professor de Psicanálise no @ceteppsicanalise
Atendimento On Line e Presencial
Av. Andrade Neves, 2025

13/07/2026

“As coisas velhas já passaram”

Vídeo: Ruben Alves

12/07/2026

Há uma sabedoria antiga em Provérbios 22:6 que continua desafiando nossa forma de educar, mesmo que muitos interpretem a ideia desse texto de forma religiosa, o que não quero adentrar aqui.
A sabedoria desse escrito não está em uma fórmula para garantir o futuro de uma criança, mas nos convida a reconhecê-la em sua singularidade

Criar um filho não é moldá-lo à imagem dos pais
É encontrar quem ele é antes que o mundo lhe diga quem deveria ser

Décadas depois, Sándor Ferenczi levaria essa intuição para a clínica
Para ele o sofrimento psíquico nasce muitas vezes quando a criança precisa abandonar sua própria experiência para se adaptar às necessidades emocionais dos adultos
Quando é obrigada a amadurecer cedo demais, a silenciar o que sente ou a corresponder às expectativas da família, ela aprende a sobreviver
Mas às custas de si mesma

O verdadeiro cuidado não começa quando a criança se adapta à família
Começa quando a família é capaz de se adaptar à criança

Talvez educar seja menos sobre ensinar um caminho e mais sobre proteger aquele que já começa a se revelar
Porque uma infância que encontra espaço para existir não precisa trocar sua autenticidade por amor

E talvez essa seja uma das formas mais profundas de cuidado; oferecer um ambiente onde a criança não precise deixar de ser quem é para continuar sendo amada

29/06/2026

“O tempo nunca nos pergunta se estamos prontos.”

Passamos boa parte da vida tentando administrá-lo, fazemos planos, estabelecemos metas, adiamos encontros, economizamos afetos como se houvesse um momento mais oportuno para viver
Mas o tempo não negocia.

Na psicanálise, envelhecer não é apenas um fenômeno biológico, éo encontro gradual com a impossibilidade de controlar a existência
Cada aniversário nos lembra que não acumulamos apenas anos; acumulamos escolhas
E toda escolha carrega inevitavelmente uma renúncia

Talvez por isso o envelhecimento provoque tanta angústia
Não porque o corpo mude, mas porque ele denuncia que o tempo é finito
A fantasia narcísica de que “ainda há tempo para tudo” começa a ceder lugar à pergunta mais difícil, o que estou fazendo com o tempo que me resta?

Freud nos mostrou que o psiquismo busca preservar uma ilusão de permanência, enquanto a realidade insiste em nos confrontar com a perda, a mudança e a morte.
Crescer é aprender que viver não significa vencer o tempo, mas construir sentido apesar dele.

O paradoxo é que só percebemos o valor de um instante quando ele já passou
O presente é breve demais para ser retido, mas suficientemente longo para ser habitado.

Talvez a maturidade não consista em aprender a administrar o relógio, e sim em abandonar a fantasia de controlá-lo.
Porque ninguém domina o tempo.
O que podemos escolher é como amar, como lembrar, como cuidar e como estar presentes enquanto ele passa.

No fim não é o tempo que mede uma vida.
São os vínculos que dão profundidade aos minutos e transformam a passagem dos anos em uma história que vale a pena ter vivido

Vídeo: Poesia de Dylan Thomas
Filme: Interestelar

24/06/2026

Há quem viva o tempo como uma estrada
Outros o vivem como um peso

O tempo do relógio não é o mesmo tempo da alma
Enquanto os ponteiros avançam para todos, cada sujeito atravessa a existência a partir de suas próprias marcas, perdas, desejos e ausências

Por isso, duas pessoas podem habitar a mesma idade e viver mundos completamente diferentes.

Existe uma forma silenciosa de sofrimento em que o futuro deixa de ser uma promessa e passa a ser apenas mais uma repetição do presente
Não porque falte capacidade, inteligência ou oportunidade, mas porque algo do desejo perdeu sua força de convocação
A vida continua acontecendo, mas já não encontra o mesmo eco dentro de nós

Há uma maneira de enxergar a vida, que não é apenas tristeza ou pessimismo
É uma maneira particular de sentir o tempo
O amanhã chega mas não entusiasma
As possibilidades existem mas parecem distantes
Os sonhos não desaparecem completamente apenas deixam de iluminar o caminho.

Talvez uma das tarefas mais difíceis da vida seja sustentar a esperança sem garantias
Continuar caminhando quando ainda não sabemos o que encontraremos adiante
Porque, no fundo, existir é justamente isso, seguir construindo sentido enquanto o tempo passa, mesmo quando ele parece correr mais rápido do que nossos próprios desejos

Filme: Passagem

16/06/2026

Passamos a vida tentando controlar o futuro
Fazemos planos, acumulamos garantias, buscamos prever perdas e evitar dores
Mas o futuro permanece indomável, sempre atravessado pelo acaso, pelo desejo e pelo inesperado.

Talvez a maior ilusão humana seja acreditar que controlamos o que virá
Nem mesmo somos senhores absolutos de nós mesmos; há em cada escolha uma dimensão inconsciente que escapa ao cálculo.

Ainda assim, existe um lugar onde tocamos algo próximo do destino; nossos afetos
Não porque possamos decidir quem amar sem conflitos ou contradições mas porque escolhemos a quem oferecer presença, tempo, escuta e investimento emocional

O futuro é, em grande parte, feito das relações que cultivamos hoje, cada vínculo aprofundado é uma aposta silenciosa sobre o amanhã
Cada pessoa que permitimos habitar nossa intimidade se torna uma força capaz de transformar os caminhos que percorreremos.

Não controlamos os acontecimentos, os encontros ou as despedidas
Não controlamos o tempo
Mas, entre todas as incertezas, talvez o gesto mais próximo de moldar o futuro seja escolher quais amores merecem permanecer conosco enquanto ele acontece.

Porque, no fim, o futuro não é apenas o que nos acontece, é também a soma das pessoas que escolhemos levar conosco até lá

Cena da série: This is Us

15/06/2026

Há pessoas que atravessam a vida habitadas por uma sensação silenciosa de insuficiência e não importa o quanto conquistem, amem, estudem ou se esforcem, existe sempre a impressão de que falta algo para serem, finalmente, dignas de reconhecimento

A psicanálise nos ensina que o narcisismo não é sinônimo de vaidade, é a forma como aprendemos a olhar para nós mesmos a partir do olhar daqueles que nos receberam no mundo
Quando uma criança cresce sentindo que precisa ser mais bonita, mais inteligente, mais obediente ou mais perfeita para merecer amor, ela pode construir um ideal impossível de alcançar

Então nasce uma existência marcada pela comparação
O sujeito não se encontra com quem é, mas com quem acredita que deveria ser.

O resultado é uma vida vivida sob a tirania da falta, a felicidade parece estar sempre no próximo objetivo, no próximo reconhecimento, na próxima versão de si mesmo
Nunca no presente

Muitos adultos não sofrem porque fracassaram, sofrem porque aprenderam que seu valor depende de nunca falhar

E assim passam anos tentando alcançar uma imagem idealizada de si, enquanto abandonam a pessoa real que existe por trás dela.

Talvez amadurecer seja justamente isso; renunciar à fantasia de ser extraordinário para descobrir que ser humano já é suficiente

Cena da Série: O Amor da minha Vida

12/06/2026

Quando se fala em esforço, costuma-se esquecer de uma pergunta fundamental
De onde cada pessoa está partindo?

Duas pessoas podem caminhar na mesma direção, mas não percorrem a mesma estrada
Algumas cresceram cercadas de apoio, segurança e oportunidades
Outras precisaram lidar com perdas, violência, abandono, exclusão ou necessidades básicas não atendidas.

Isso não significa que o esforço não importe.
Significa apenas que esforço não acontece no vazio.

As desigualdades sociais atravessam os corpos, as relações, os afetos e a forma como cada sujeito aprende a sonhar, confiar e construir projetos para o futuro.

A psicanálise nos ensina que o sofrimento humano não nasce apenas de conflitos internos, ele também é marcado pelas experiências vividas, pelos vínculos estabelecidos e pelas condições concretas em que uma vida se desenvolve.

Escutar alguém é mais do que observar seus resultados.

É tentar compreender sua história.

Porque antes de perguntar por que uma pessoa não chegou mais longe, talvez seja preciso perguntar quais obstáculos ela precisou atravessar para chegar até aqui.

Toda trajetória merece ser compreendida

Entrevista de no

11/06/2026

Há pessoas que passam a vida tentando esconder suas partes machucadas

Como uma fruta aparentemente bonita por fora, mas que carrega em seu interior as marcas de um ataque invisível

Ferenczi utilizou a metáfora da “fruta bichada” para falar dos efeitos do trauma precoce
O problema não está na essência da fruta, o problema está na ferida que a atingiu quando ainda estava em formação

Muitas vezes aquilo que chamamos de insegurança, ansiedade, medo do abandono, dificuldade de confiar, necessidade excessiva de agradar ou sensação constante de não ser suficiente não são defeitos de caráter
São adaptações psíquicas construídas para sobreviver.

A criança que não encontrou proteção onde deveria encontrá-la aprende a duvidar de si mesma. Aprende a silenciar a própria dor e aprende inclusive, a acreditar que o problema está nela

O trauma não destrói apenas a confiança no outro, pode romper a confiança que o sujeito tem em seus próprios sentimentos, percepções e desejos.

Mas existe algo extraordinário na condição humana: aquilo que foi ferido pode ser cuidado, aquilo que foi silenciado pode encontrar palavras, aquilo que precisou sobreviver pode finalmente, começar a viver.

Nem toda fruta marcada está perdida

Às vezes a maior beleza está justamente na história de quem conseguiu florescer apesar das feridas.

Cena da série Sessão de Terapia

09/06/2026

Na psicanálise a figura paterna vai muito além da presença física
Ela representa reconhecimento, amparo, limites e a possibilidade de a criança sentir que existe de forma singular no olhar de alguém que a vê e a confirma

As marcas desse encontro não ficam restritas à infância mas ecoam na forma como amamos, nos relacionamos, enfrentamos perdas, construímos nossa autoestima e buscamos nosso lugar no mundo

Por isso, alguns gestos simples carregam uma força imensa
Uma música, um olhar, um abraço ou uma lembrança podem tocar camadas profundas da nossa história emocional.

Crescemos, envelhecemos, construímos nossas próprias vidas, mas algo da criança que um dia buscou acolhimento no olhar do pai continua habitando dentro de nós

E talvez seja por isso que certas emoções não se explicam mas apenas nos lembram de onde viemos e de quem ajudou a nos tornar quem somos

Vídeo:

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