Dra. Silvane Vasconcelos - Compondo Existências

Dra. Silvane Vasconcelos - Compondo Existências

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Esse é um espaço de acolhimento e apoio às mulheres e famílias que estão vivenciando o mergulho de maternar com consciência, entrega e amor.

16/08/2021

Estamos na metade de Agosto, esse mês lindo dourado em que nosso feed f**a lotadinho de imagens de mulheres amamentando seus bebês, textos problematizando a cultura que não apoia o aleitamento materno, comentários de mulheres contando suas dores e delícias nessa travessia de nutrir. É indiscutível o valor do leite materno - e, sim, precisamos falar ainda muito sobre isso. Mas tem uma face nessa história toda que muitas vezes f**a invisível: como essa mulher que está nutrindo (seja pelo seio ou mamadeira) está sendo nutrida? Que nutrição ela recebe? É comum estarmos desnutridas em muitos sentidos ao nutrir nossos bebês, e nessa Quarta a noite eu quero bater um papo contigo sobre isso! Vamos fazer desse Instagram um cafofo onde a gente pode se encontrar e falar sobre as coisas que são relevantes e caras para nós! Porque a gente pode se nutrir desses espaços também 🌸💕
Nessa Quarta às 21:00! Convida uma mulher que tá precisando de uma nutrição na alma que eu te espero lá.

16/08/2021

O que pode um corpo que gesta?

A mulher que gesta é inteira presente e devir. Peregrina de dois mundos, habita com inteireza o entre - sendo em si mesma pedra, ponte, rio, borboleta.
Em seus gestos de corpo extendido, de centro movente, de útero pulsante, ela cria, gera, gestua um novo ser. Mulher-lua. Mulher-água. Mulher e lua e água emaranham-se nesse nascente corpo-gesto, a parir-se em contração oceânica, mar e onda, dança, sangue, suor, secreção. Ali, no portal entre mundos, vida-morte-vida.
Pra mim, outra beleza não há.

Tornemos visíveis nossas múltiplas, reais e infinitas narrativas: me conta, para você, como foi gestar?

14/08/2021

Se você é uma mulher puérpera ou se tornou mãe no meio dessa pandemia, essa carta é pra você! Um lembrete de que você não está só! Que meu colo chegue até você. Estamos juntas.

13/08/2021

Essa é uma carta para você que se tornou mãe e é atravessada por um milhão de sensações desconhecidas e indizíveis ao mesmo tempo em que se sente exausta e só. Puerpério é tempo único de intensidades em que mãe e bebê vivenciam as potências e fragilidades desse encontro fusional. Eu vejo você. Você não está só. Vamos juntas.

Sobre
Viver
o
Puerpério

19/08/2019

Que(m) mulher hoje nasce de você? Experimente parar um segundo, fechar os olhos e sentir: que mulher você nasceu no instante agora? A gente está se parindo todos os dias, nossas escolhas, nosso modo de existir, e esses pequenos partos muitas vezes passam desapercebidos, quase irrelevantes. Parir uma criança, porém, é em nós um grande e poderoso ritual de vida-morte-vida. Somos catapultadas para um lugar tão desconhecido de nós mesmas, tão avassalador, tão singular, tão sem palavras - que só nos resta nadarmos nessas águas e nos re-conhecermos. Há um grande mistério que nos aguarda e nos é revelado de nós mesmas quando geramos vida, e cada mulher experiencia à sua maneira. Sem julgamentos, nesse lugar cabe tudo, e a jornada de se nascer mulher após nos tornarmos mães é cheia de dualidades, pluralidades, dores, delícias.
Emergir desse mergulho em nada tem a ver com respostas certas sobre quem eu sou - mas sobre quem/como eu me torno, sobre o que posso, a cada instante, nesse caminhar. Com humanidade, inteireza e verdade.
Vem pensarmos juntas sobre essas questões que f**am aqui povoando minhas percepções, meus sentires e meus fazeres como mulher, mãe, pediatra!
A .ruda abre suas portas para receber e caminhar com as famílias, as mulheres que acabaram se tornar mães. E eu estarei lá no dia 01.09 para gente se ver, conversar e produzir vida com chá, gente e natureza permeadas por esse tema lindo da maternidade como oportunidade potente da gente Ser!
Até lá!

29/07/2019

Você, mulher, já se sentiu só e inadequada, envergonhada de si mesma, intimidada em expor sua maneira de pensar? Você já teve medo de expressar suas ideias, já se sentiu de algum modo interditada de colocar no mundo a sua voz? Já se julgou, se criticou, se culpou e se puniu por ser como é? Se diminuiu? Se desvalorizou?

Então, hoje eu estou aqui pra falar com você, repetindo as palavras que recebi de uma amiga querida num momento em que também questionei e titubei em ocupar o meu lugar. Queria te dizer que eu vejo você. Eu reconheço você ( seja qual for a sua história). Você é uma de nós.

Se olhe no espelho, bem no fundo dos olhos e repita em voz alta, porque uma legião de mulheres está contigo em uníssono falando agora: eu vejo você. Eu reconheço você. Eu quero ouvir sua voz. Você é uma de nós.
Repita isso para si e para outras mulheres. Marque aqui as mulheres pra quem você quer falar isso. Marque um café. Marque um encontro. Ouça com amor. Olhe nos olhos e sinta a força que emana de nós quando estamos juntas, quando seguramos as mãos umas das outras. Sim, juntas somos (muito!) mais fortes! E merecemos o mundo!

28/07/2019

Para mim a cura é uma jornada que se mistura ao próprio modo de viver. E a alma, sábia que é, encontra os meios de manifestar o Eu a cada passo com um tanto mais de consciência.
A pediatria compõem com o meu modo de ser/fazer no mundo, no desejo pulsante de apoiar famílias nesse caminho belo, potente e tantas vezes desafiador de viver com mais inteireza, com mais verdade. Pois quando uma criança nasce todo aquele sistema familiar renasce junto, de alguma maneira, em possibilidades - e isso desencadeia movimentos tsunâmicos geridos pela alma. Aprendi a observar mais, escutar mais, respirar mais e me conectar mais nesse exercício de presenciar, auxiliar, ancorar esses novos nasceres. Eu testemunho mulheres olhando para as próprias feridas, carências, medos e, com muita coragem refazerem a própria história, recriando o próprio colo para maternarem com entrega e confiança. Vejo homens olhando para o menino que foram, para os lugares que ocuparam a vida inteira diante dos próprios pais, das construções de uma sociedade patriarcal. Nem sempre é fácil e na grande maioria das vezes eu não tenho uma resposta. Tenho, sim, muitas perguntas. Olhares que compartilho, com muito respeito e honra à história de cada um, e vamos criando juntos esse caminho de cuidado. Sim, para mim isso é saúde.
Nesse dia do pediatra celebro a minha ancestralidade de curandeiros e curandeiras, erveiras, benzedeiros e benzedeiras, parteiras. Celebro a Escola Paulista de Medicina e todos os professores(a)s, todos os pacientes que contribuíram com a minha formação. Celebro cada encontro. Celebro as tantas trilhas trilhadas pessoais e profissionais, as outras formações que seguiram e ainda seguem com terapeutas que admiro muito e que contribuem na ampliação e extrema sensibilização do meu olhar para mim e para o outro. Celebro o Rafa, médico de família e marido, que vive a medicina de uma maneira tão honrada, que tanto me inspira.
Celebro a Bel, que ensina tanto sobre amor, humildade e confiança na intuição para a pediatra que me tornei.
Agradeço muito a mim, a todas a crianças que escolheram levar seus pais até meu consultório, às famílias que confiam nessa parceria e sempre aos anjos da guarda que trabalham comigo (todos eles)!

Feliz aqui nesse dia 27.07.19!

Foto: 07.03.2012

15/06/2019

Por mais que na teoria seja inspirador pensar no puerpério e na criação dos filhos como um convite da alma ao mergulho em si mesma, um renascimento potente da mulher e uma grandessíssima oportunidade de curar feridas, individuais e de linhagem, a verdade é que na prática isso exige grande esforço. Incômodo, desconfortável e tantas vezes doloroso. Falo isso não para estereotipar a vivência real, até porque a realidade é única para cada mulher mãe. Mas falo para dar lugar às resistências, às carências, à raiva, aos desejos de fugir, às crises de choro e desespero, à vontade de que alguém resolva o "problema do bebê" com uma pílula mágica. Não é fácil - e, como todo processo, é um caminho a se percorrer . Sair do lugar ocupado a vida inteira e se deparar com tantos discursos iludidos é um exercício que antes de tudo exige muita coragem. Criar novas maneiras de se relacionar com os outros e consigo mesma, abrir mão do lugar de quem reivindica amor e ao mesmo tempo aprender a se amar, se acolher, se respeitar, se colocar inteira. É preciso olhar nos próprios olhos (tantas vezes espelhados pelo bebê) e encarar-se com muita honestidade, muita empatia, muito amor. Reconhecer onde pega e onde dói, como toca e do que realmente fala aquilo que é vivenciado com o bebê e com as pessoas ao redor já é, em si, um grande caminhar de revoluções interiores. E, como toda revolução, estremece as estruturas todas e faz ruir sistemas bem complexos de modos de existir - para enfim trazer o novo, com mais sentido e liberdade. Esses convites para a jornada são feitos a todo momento, e pode parecer muitas vezes que se está caminhando para trás. Mas crescer não é linear, e são as tortuosidades que tornam cada história única e bela à sua maneira.

Photos 08/06/2019

Ao se tornar mãe a mulher mergulha profundamente em seu universo inconsciente, refazendo em si mesma vínculos que outrora foram interrompidos, nutrindo sua demanda de afeto que não foi vista ou atendida quando esta era vital, validando em seus espaços internos as suas feridas emocionais, reconhecendo-as na fragilidade e ao mesmo tempo na potência autocuradora. Tudo isso por intermédio do bebê que, fusionado à mãe, espelha os caminhos para que essa travessia se dê de maneira profunda, honesta e plena. Muitas vezes é exaustivo, solitário e doloroso, mas é também corajoso e revelador, abrindo espaços para novos vínculos e apoios. Libertador. Liberar essas dores possibilita que ao renascer como mãe, a nova mulher possa ocupar sua existência de modo mais potente para si mesma, mais íntegro e feliz. E essa é a maior herança que ela pode deixar para o/a seu/sua/ filho/a.

Dra. Silvane Vasconcelos - Pediatra
Membro da Casa Rudá

Photos 27/05/2019

A chegou até mim, pela primeira vez, através das folhas escritas de um livro sobre maternidade. Nesse ponto eu, ainda grávida, não quis de cara mergulhar em tudo aquilo. O livro ficou na cabeceira, fechado. Pari. Fui envolvida por uma onda tsunâmica, e ali, com uma bebê no colo espelhando toda a minha eu-bebê, precisei das palavras dela. Foi um encontro. Com força, coragem e generosa verdade a escrita da Laura tocou a minha alma e me amparou no meu próprio mergulho.
Desde então o estudo dela vem compondo o meu Ser, o meu Fazer. São inúmeros livros falando sobre a biografia humana, de maneira profunda, pertinente e honesta.
Nosso encontro olho no olho foi também assim, alimento pra alma! Com leveza, coragem e amor ela trouxe um campo imenso de reflexões muito potentes, muito urgentes, muito necessárias. E trouxe também sorrisos, abraços e a certeza de que nós, na .ruda temos um belo, árduo e transformador caminho a trilhar!

Foi lindo!! Gratidão imensa pelos encontros potentes! ❤️

Registro delicado e divertido da querida fotógrafa Luciana Zenti

18/05/2019

Desde a barriga o bebê, com as suas pequeníssimas mãozinhas, vai compondo seus gestos. Ele traz a mão até o rosto, suga, e vai encontrando seus primeiros gestos na própria corporalidade. Ao nascer, inaugurando-se no mundo exterior material, o bebê que habita esse instrumento -corpo vai compondo com ele a partir das descobertas de si, e esse é um processo potente, brilhante, brincante e de extremo valor no desenvolvimento integral. Mexer as mãos e num reflexo agarrar o dedo da mãe. Balançar os bracinhos e de repente, sem saber como, alcançar a boca, sugar e sentir muito prazer! Levar intencionalmente num movimento elaborado a mão até a boca. Agarrar uma mão com a outra. Agarrar o pé. Agarrar um objeto. Jogar um objeto no chão. Jogar mais longe. Ainda mais longe.
Cada um desses gestos, que parecem tão desimportantes, são parte da grande experimentação existencial desse bebê. É a memória gestual afetiva e prazerosa que vai dando a ele a ciência de si no mundo, a partir da corporalidade, da própria percepção sensorial. O bebê é, sendo.
Nós, adultos, temos a teimosa tendência de encaixar tudo nas caixinhas de pré-definições e julgamentos - e quais são os gestos "apropriados" para o bebê? Desde muito cedo e sem perceber, vamos moldando de juízos de valor a experiência de si desse ser que chega ao mundo, interferindo num processo que já é pleno em si mesmo. Tiramos as mãozinhas da boca. Colocamos de bruços para que treine virar. Oferecemos excesso de objetos, vulgo brinquedos, para que eles se distraiam do próprio tempo experimentando a si mesmos.
Pensar essa existência que está se formando é sobre oferecer afeto, calor e confiança para que esse aparentemente frágil, mas potente corpo, exista e se desenvolva em plena ebulição! À sua única extraordinária maneira.
Pois é nessa composição conjunta que os bebês nos proporcionam que nós aprendemos também a observar como habitamos o nosso corpo, como nos movemos, como fazemos o que fazemos. Sem julgamentos e com auto amor, criando para nós novas possibilidades de existir.

13/05/2019

VÍNCULOS

Eu acredito no poder curador dos vínculos. Acredito nos vínculos de afeto como uma ferramenta poderosíssima de se mudar a humanidade. A gente vem de histórias catastróf**as de vínculos interrompidos violentamente, vínculos negligenciados, vínculos esfarelados, esmagados, desfeitos, abruptamente sucumbidos a estruturas sociopolíticoeconomicoculturais e por aí vai. Toda criança que nasce nos convida a brincar novamente de refazer esses laços interiores, recosturando nosso próprio fio, tecendo com pontos fortes e firmes a nossa rede, a nossa conexão, a nossa história. A gente com a gente mesmo e com todos ao redor. Eu acredito que cada criança chega trazendo a coragem de desafiar esse mundo posto, e a partir dos afetos coracionados com os impulsos da alma, nos inspirar a refazer vidas que foram desfeitas, sonhos que morreram e vínculos que f**aram para trás. Para isso a gente precisa se permitir mergulhar com elas nos impulsos lúdicos guiados pelo coração. Com entrega, confiança e amor.

📷 Capturando vínculos através das suas lentes, a querida Estúdio Fotográfico Simone Maurina no lindo projeto É preciso Falar de Amor. Gratidão!

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