Thiago Vilela
Fisioterapeuta apaixonado pela profissão e pela atuação em fisioterapia no esporte.
Sempre fui apaixonado pela anatomia do corpo humano! A natureza e o corpo humano sem dúvida são as maiores criações divinas 🙏
Correr faz mal pra coluna?
Durante muitos anos acreditou-se que correr poderia desgastar a coluna e aumentar o risco de degeneração dos discos intervertebrais.
Mas a ciência mais recente mostra que a história pode ser bem diferente.
Um estudo publicado no European Spine Journal avaliou a saúde dos discos da coluna lombar utilizando ressonância magnética em indivíduos submetidos a um programa de corrida moderada durante 12 semanas.
Os pesquisadores observaram aumento do sinal T2 nos discos intervertebrais, um marcador associado à hidratação e integridade estrutural do disco.
Em termos simples:
os discos da coluna parecem se adaptar positivamente à carga mecânica da corrida.
Isso reforça um princípio fundamental da fisiologia do exercício:
🧠 tecidos biológicos se adaptam ao estímulo mecânico adequado.
Assim como músculos ficam mais fortes e ossos ficam mais densos com o treinamento, os discos intervertebrais também podem responder positivamente ao movimento.
Claro que isso depende de alguns fatores importantes:
• progressão adequada de carga
• volume de treino controlado
• técnica e preparo físico adequados
Quando bem dosada, a corrida pode ser uma aliada da saúde da coluna, e não um vilão.
A mensagem da ciência é clara:
o corpo humano foi feito para se mover.
📚 Referência científica
European Spine Journal (2026)
running exercicio longevidade saude ciencia fisioterapiaesportiva
Um estudo recente publicado na Science investigou a inibição da enzima 15-PGDH e seu papel na regeneração da cartilagem.
Os resultados sugerem que o aumento de prostaglandina E2 pode ativar células progenitoras articulares e estimular regeneração tecidual.
Ainda são resultados pré-clínicos, mas representam um avanço importante na compreensão da biologia da cartilagem.”
A reconstrução do ligamento cruzado anterior (ACL) é uma das cirurgias ortopédicas mais comuns em pacientes ativos e atletas recreacionais. Após a cirurgia, a reabilitação vise não apenas a recuperação de dor e função, mas também o retorno ao esporte em níveis seguros e eficazes. 
Métodos
• Desenho: Ensaio clínico randomizado. 
• População: 66 atletas recreacionais com 3 meses de pós‑operatório de ACLR. 
• Intervenções comparadas:
• R&O Program: Reabilitação estruturada de alta intensidade visando habilidades atléticas e retorno ao esporte. 
• Usual Care: Cuidado fisioterapêutico de rotina pós‑ACLR. 
• Desfechos principais:
• Sintomas e incapacidade (principal) via Knee Outcome Survey–Activities of Daily Living (KOS‑ADLS). 
• Dor, força de membros inferiores, desempenho funcional, predisposição psicológica ao retorno ao esporte e taxa de retorno ao esporte no nível pré‑lesão. 
• Seguimento: Avaliações em baseline, 6, 9 e 12 meses. 
Principais resultados
• Ambos os grupos mostraram melhorias significativas ao longo do tempo em todos os desfechos avaliados (p 0,05). 
• Não foram relatados eventos adversos relacionados a nenhum dos protocolos de reabilitação. 
Interpretação clínica
• A reabilitação estruturada de alta intensidade (R&O) não demonstrou benefícios adicionais sobre a reabilitação tradicional de rotina para os principais desfechos clínicos entre atletas recreacionais após ACLR. 
• Resultados positivos em ambos os grupos indicam que programas bem desenhados, sejam de alta intensidade ou cuidados clínicos tradicionais, promovem recuperação funcional ao longo de 12 meses após a cirurgia. 
• O achado destaca que protocolos individualizados e consistentes de reabilitação são seguros e eficazes, e que não apenas a intensidade, mas a qualidade e progressão criteriosa dos exercícios são determinantes para a recuperação. 
Contexto
Proximal hamstring tendinopathy (PHT) é uma condição crônica que causa dor localizada na região posterior da coxa/ bacia e está frequentemente associada à corrida, sentar prolongado e movimentos exigentes do membro inferior, podendo limitar desempenho funcional e esportivo. 
Objetivo
Comparar a eficácia de um programa de fisioterapia individualizada versus terapia por ondas de choque (shockwave therapy) em termos de dor, função e melhora global ao longo de 1 ano em indivíduos com PHT. 
Métodos
• Desenho: Ensaio clínico randomizado, paralelo, com avaliação cega de desfechos. 
• Amostra: 100 participantes com PHT recrutados em 10 clínicas de fisioterapia na Austrália. 
• Intervenções:
• Fisioterapia individualizada (6 sessões clínicas com plano de exercício progressivo, educação e estratégias de carga).
• Terapia por ondas de choque (6 sessões de shockwave therapy), ambas com aconselhamento educativo padrão. 
• Desfechos Primários:
• Global Rating of Change (escala de 7 pontos),
• VISA‑H (Victorian Institute of Sport Assessment for Hamstring Tendinopathy) medidos em 4, 12, 26 e 52 semanas. 
• Análise: Intenção de tratar, modelos mistos lineares. 
Resultados
• Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos em nenhum dos desfechos primários (melhora global ou função no VISA‑H) ao longo de 4, 12, 26 ou 52 semanas. 
• Em desfechos secundários, o grupo de shockwave apresentou maior satisfação com o tratamento em pontos temporais intermediários (4 e 26 semanas) e melhor percepção de saúde geral em 52 semanas, sem diferença consistente nos desfechos funcionais. 
• A taxa de seguimento foi alta (>88% em 12 meses), reforçando a robustez dos dados longitudinalmente. 
Han H, Hu J, Lee DH, Zhang Y, Giovannucci E, Stampfer MJ, Hu FB, Sun Q. Physical activity types, variety, and mortality: results from two prospective cohort studies. BMJ Medicine. 2026;5(1):e001513. doi:10.1136/bmjmed-2025-001513.
Tipo: Ensaio clínico randomizado multicêntrico. 
• Participantes: 879 adultos (45–85 anos) com dor no joelho, osteoartrite radiográfica e lesão meniscal degenerativa. 
• Intervenções:
1. Home exercise (HE) — programa domiciliar promovendo fortalecimento e alongamentos prescritos.
2. HE + textos de incentivo — mensagens para melhorar adesão.
3. HE + textos + sham PT — atendimento simulado em clínica (controle de contato).
4. HE + textos + PT tradicional — sessões presenciais de fisioterapia com alongamento, fortalecimento, treino funcional e terapia manual.
• Duração: 12 semanas de intervenção, com acompanhamento de 12 meses após alocação. 
• Desfecho primário: mudança no escore de dor do KOOS pain entre baseline e 3 meses. 
Principais resultados
• Melhorias de dor e função ocorreram em todos os grupos, incluindo aqueles que seguiram apenas o programa domiciliar. 
• Não houve diferença clinicamente significativa entre grupos na redução do escore de dor após 3 meses — ou seja, adicionar sessões de fisioterapia tradicionais, mensagens de incentivo ou contato simulado não proporcionou benefício adicional consistente sobre o programa domiciliar bem estruturado. 
• Trajetórias de melhora ao longo de 12 meses foram semelhantes entre os grupos. 
• Adesão ao exercício domiciliar foi alta, o que pode ter favorecido os resultados similares entre braços com e sem PT presencial. 
• Eventos adversos foram incomuns e distribuídos de forma similar entre os grupos. 
Conclusões e implicações clínicas
• Para adultos com dor no joelho associada a osteoartrite e lesão meniscal degenerativa, um programa de exercícios domiciliares estruturado e bem acompanhado pode ser tão eficaz quanto combinar esse programa com sessões regulares de fisioterapia tradicional para reduzir dor e melhorar função a curto e médio prazo
Começando a contar sobre o desafio de 2026! Letap França 2026! Acompanhe!
Algumas curiosidades pra quem não conhece:
Tour de France:
• 🚴♂️ Criado em 1903 para promover um jornal esportivo, tornou-se o maior evento do ciclismo mundial.
• 🟡 A camisa amarela foi escolhida porque o jornal organizador (L’Auto) era impresso em papel amarelo.
• ⛰️ Os ciclistas sobem o equivalente a 3 vezes o Everest somando o desnível total da prova.
• 🔥 Etapas de montanha podem ultrapassar 5.000 m de ganho altimétrico em um único dia.
• ⚡ Potência média em montanhas: ~5,5–6,2 W/kg nos melhores escaladores (nível elite absoluto).
• 🧠 Não é só físico: estratégia de equipe e posicionamento decidem vitórias tanto quanto a força.
• 🕒 Contra-relógio: chamado de “a corrida da verdade”, onde não há vácuo nem ajuda da equipe.
• 🏁 Champs-Élysées: chegada tradicional desde 1975, considerada a “passarela” do ciclismo.
• 🌍 Audiência global: transmitido para mais de 190 países, com bilhões de horas assistidas.
• 🏆 Recorde histórico: apenas 5 ciclistas venceram o Tour 5 vezes na história.
O L’Étape du Tour
• 🚴♂️ É o Tour para amadores: qualquer ciclista treinado pode pedalar exatamente no percurso de uma etapa oficial do Tour.
• ⛰️ Mesmo trajeto, mesmo sofrimento: inclui as mesmas montanhas, altimetria e distância dos profissionais.
• 🟡 Estrutura profissional: estrada fechada, apoio médico, hidratação e organização padrão Tour de France.
• 🔥 Exigência fisiológica extrema: muitos participantes acumulam >6–8 h de prova com alto estresse metabólico.
• ⚡ Potência sustentada: subidas longas exigem ~4,0–4,8 W/kg em amadores bem treinados.
• 🧠 Gestão de esforço é decisiva: pacing inadequado é a principal causa de abandono.
• 🌍 Evento global: reúne milhares de ciclistas de dezenas de países em uma única prova.
• 🏁 Experiência única: cruzar a linha de chegada é considerado “terminar um Tour de France pessoal”.
• 🏆 Classificação por categorias: idade, s**o e tempo, mas o verdadeiro desafio é concluir a prova.
Han H, Hu J, Lee DH, Zhang Y, Giovannucci E, Stampfer MJ, Hu FB, Sun Q. Physical activity types, variety, and mortality: results from two prospective cohort studies. BMJ Medicine. 2026;5(1):e001513. doi:10.1136/bmjmed-2025-001513.
Avaliar a associação entre tipos e variedade de atividade física ao longo prazo com mortalidade por todas as causas e causas específicas em adultos, explorando se não apenas a quantidade, mas também a diversidade de atividades está associada a menor risco de morte. 
Desenho e populações
• Estudo observacional prospectivo, combinando dados de duas grandes coortes:
• Nurses’ Health Study (≥70 725 mulheres)
• Health Professionals Follow-Up Study (≥40 742 homens)
• Seguimento cumulativo de mais de 30 anos com atualizações bienais de atividades físicas relatadas pelos participantes. 
Exposição e desfechos
• Exposição: envolvimento habitual em diferentes tipos de atividade física (caminhada, corrida, bicicleta, tênis/esportes de raquete, remo/calisthenics, treinamento de força, etc.), expressa em MET‑h/semana e número de tipos de atividade praticados de forma consistente. 
• Desfechos: mortalidade por todas as causas e por causas específicas (cardiovascular, câncer, respiratória). 
Principais achados
• Atividade física total esteve inversamente associada à mortalidade — maior gasto de energia acumulado por semana foi relacionado a menores riscos de morte por todas as causas e causas específicas. 
• Variedade de atividades foi um preditor independente de mortalidade:
• Participantes no grupo com maior diversidade de atividades apresentaram cerca de 19% menor risco de mortalidade por todas as causas comparados aos de menor variedade, após ajuste pelo volume total de atividade. 
• Reduções no risco de mortalidade por doenças cardiovasculares, câncer e respiratórias variaram de 13% a 41% nos grupos com maior variedade. 
• Certas atividades individuais — como caminhada, tênis/esportes de raquete e treinamento de força — mostraram associações robustas com redução da mortalidade, enquanto outras como ciclismo tiveram efeitos menores ou não significativos em algumas análises. 
Finalizando o ano fazendo o que eu amo…pedalar e contemplar…
⚠️ Overtraining não derruba só a performance. Ele aumenta o risco de lesão.
Treinar forte faz parte do processo.
Não recuperar, não.
A ciência mostra que o overtraining acontece quando o corpo e o cérebro perdem a capacidade de se adaptar ao estresse.
Antes do colapso, surgem sinais claros:
• 📉 Queda sustentada da VFC
• ❤️ FC de repouso elevada
• 😴 Sono ruim persistente
• 💪 Redução >10% da potência
• 🧠 Perda de motivação, foco e drive
Quando esses sinais são ignorados, o que acontece?
👉 queda da capacidade de absorver carga
👉 atraso na regeneração tecidual
👉 piora do controle motor
👉 aumento da fadiga neuromuscular
O resultado é um cenário perfeito para lesões por sobrecarga, como:
• tendinopatias
• fraturas por estresse
• dores musculoesqueléticas recorrentes
📌 Overtraining não é falta de força mental.
📌 É falha na gestão de carga e recuperação.
Monitorar sinais fisiológicos e cognitivos não é só estratégia de performance —
é prevenção de lesão e longevidade esportiva.
Treinamento é estímulo.
A adaptação acontece na recuperação.
Clique aqui para requerer seu anúncio patrocinado.
Categoria
Entre em contato com o negócio
Endereço
Goiânia
74000000
