Dr. Flavio Moutinho

Dr. Flavio Moutinho

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Endocrinologia Pediátrica

Photos from Dr. Flavio Moutinho's post 27/05/2026

Hormônios transformam.

Sob o ponto de vista fisiológico.
Sob o ponto de vista terapêutico.
E, infelizmente, sob o ponto de vista iatrogênico.

Hormônios não são luxo.
Hormônios não são moda.

Hormônios oferecem qualidade de vida.
E também oferecem riscos.

A diferença entre o cuidado e o risco está no acompanhamento.

No diagnóstico preciso, seguindo protocolos bem estabelecidos.
Na dose individualizada, calculada e ajustada de acordo com os dados clínicos.
Nos exames periódicos, para monitorização clínica e laboratorial dos efeitos desejados e efeitos colaterais.

15/05/2026

FORA DA CAIXA

Pense fora da caixa, dizem coaches por aí e por aqui.
Mas o problema de pensar fora da caixa é pensar tão fora da caixa que "o gato está vivo ou morto?" e na verdade ele está longe da caixa, curtindo uma praia na Grécia ou uma nevasca na Sibéria.

O ano era 2005, e eu estava em Aracaju para o Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia, onde (já dando spoiler) eu seria aprovado na prova para obtenção do Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia (TEEM).

Fiquei muito impressionado com Aracaju. Em especial, achei brilhante, quase antropofágica, a campanha de marketing, espalhada por todos os cantos, a ideia genial de transformar o nome da cidade em verbo reflexivo, sugerindo identif**ação do humano com o urbano.

Em todo lugar se lia:
ARACAJU-SE.

Eu já tinha voltado para casa quando caí na real: não era nada daquilo! Era só o nome da capital, seguido da sigla do estado.

Às vezes a imaginação produz sentidos mais interessantes do que a realidade.

12/05/2026

.

Aos 10 anos de idade, com baixa estatura, em uso de hormônio de crescimento, toda consulta desse meu pacientinho é um barato.

Dessa vez ele me ensinou Física.

- Sabia que a maçã não caiu na cabeça do Newton? Isso é história que contam pra facilitar que as pessoas entendam. Na verdade, ele era tão inteligente, e tinha a cabeça tão grande, que a maçã caiu e começou a orbitar em torno dele.

10/05/2026

QUERO CHUVA!

Hora do almoço, ligação da escola.
(quem já não tremeu com esse início?)

- A gente está com um problema com o Flavio...

Com o Flavio?, pensou a mãe, que estranho... Flavio nunca deu problema pra comer, prova de tudo, come de tudo... O que será que houve?

- Ele está na mesa do almoço, chorando, dizendo que quer chuva. E ninguém está conseguindo ajudar.

Flavio comia bastante variedade de legumes, verduras, quase tudo. Mas o que as pessoas da escola não sabiam era que o prato do Flavio contava uma história. Mais do que alimentos, o prato era um quadro que precisava fazer sentido.

Naquele dia, o arroz podia ser a areia da praia, o feijão a água do mar, o bife podia representar pedras, a cenoura, a beterraba, o brócolis... cada um era um conceito em uma cena que dali a pouco seria consumida, digerida, metabolizada e se tornaria parte de mim.

E estava faltando a chuva.

Não sei dizer porque a cena daquele dia, daquela refeição, precisava ter chuva.
Mas precisava.
E não tinha.

- Faz o seguinte - orientou a mãe - vocês têm cebola crua?
- Sim.
- Pode ralar um pedaço da cebola por cima do prato?

Choveu.
O quebra-cabeça se completou.
Fez sentido.

E então eu pude almoçar.

***

Essa refeição na escola, ocorrida talvez aos 4 ou 5 anos de idade, mostra como alguns conceitos desenvolvidos em "Metabologia - Poética da Transmutação" fazem parte de mim desde sempre.

Assim como em Um velho baú de brinquedos, eu preciso juntar as partes de um quebra-cabeça para encontrar o sentido;
assim como em Leitor de poesia, preciso processar o sentido para fazer parte de mim;
e diferente de em "Conversa de jardim", aqui eu encontro uma figura adulta, minha mãe, que acolhe, em vez de destruir, a linguagem simbólica infantil.

05/05/2026

Repara bem essa obra.
Eu vou te explicar por que a dosagem de GH no exame de sangue "geralzão" não faz sentido na maioria das condições clínicas.

Tenho certeza que você vai entender.
Me acompanha.

O GH é produzido pela hipófise (glândula localizada abaixo do cérebro, atrás do nariz), e liberada na circulação em pulsos.
Na maior parte do dia, o GH é bem baixinho, quase zero, e de repente dá um salto e (pelo menos) passa de 5 ng/dL.

O GH é o supervisor da obra. Aquele supervisor que de vez em quando dá uma passada na obra para ver como está.

O GH estimula o fígado a liberar IGF-1. O GH, hormônio de crescimento, f**a com a fama, mas quem sustenta a obra no dia a dia é o IGF-1.
O IGF-1 são os operários.

Quando você passa em frente à obra, qual a probabilidade de encontrar o supervisor? Baixa, né... ele só vai lá rapidinho e some. Quem você vai ver, dia e noite, chova ou faça sol, são os operários.

E se eu quiser encontrar o supervisor?, o que, desfazendo a metáfora, pode ser traduzido por: e se eu quiser dosar o GH?

Bom... eu preciso marcar um encontro.
Eu preciso dizer para ele: eu vou estar lá às tantas horas e quero que você também esteja.
Esse é o teste de estímulo de GH, em que o paciente usa uma medicação que provoca a ocorrência de um pico de GH.

E é assim que a gente confirma se a obra tem ou não um supervisor.

05/05/2026

Verdades são mais verdades com uma pitada de invenção.

Esse verso de "Conversa de jardim", poesia que faz parte da primeira seção de Metabologia, está aberto para interpretações.

Para mim, (eu nem estava conscientemente pensando nisso, mas) ele fala da forma e conteúdo que eu prefiro na hora de entender algum conceito.

Complicado?
Me acompanha.

Eu posso ler sobre o racismo, por exemplo, em O Abolicionista, de Joaquim Nabuco, em Pequeno manual antirracista, de Djamila Ribeiro ou em Racismo estrutural, de Silvio Almeida.

Mas, sem qualquer demérito aos livros e autores (inclusive já li todos os que eu citei), a mim me interessa mais perceber as tensões sociais, o racismo estrutural, as diferenças entre os modelos brasileiro e americano, o impacto do colonialismo europeu para a África moderna, lendo Eliana Alves Cruz, Chimamanda Ngozi Adichie, Toni Morrison, Alice Walker, Ana Maria Gonçalves, Ngugi wa Thiong'o; ou, junto com as crianças, os livros infantis de Emicida, Lupita Nyong'o, Kiusam de Oliveira.

E isso para qualquer assunto.

Outro exemplo: quando penso em entender o Oriente Médio, penso em Zeyn Joukhadar, Amin Maalouf, Elif Shafak, David Grossman, Orhan Pamuk.

Não é certo ou errado.
Não é melhor ou pior.
É o que funciona melhor para mim.

As verdades são mais concretas quando estão em um contexto de ficção.
Explica menos e mostra mais.

30/04/2026

Ontem a colega pediatra .lebarradas.ped gentilmente me marcou em um pedido de indicação de um "endocrinologista que atende crianças".

Sim, eu atendo crianças.
Mas, mais do que "eu atendo crianças", eu sou Endocrinologista Pediátrico.

Você percebe a diferença?
Então me acompanha.

A Endocrinologia Pediátrica é uma área de atuação das especialidades Endocrinologia e Pediatria.
Isso quer dizer que um Endocrinologista Pediátrico pode ter vindo de uma especialização primária em Endocrinologia (como é o meu caso) ou em Pediatria (como é o caso de diversos colegas).

Um caminho não é melhor que outro.

Na minha residência em Endocrinologia, na UERJ, tínhamos dois ambulatórios de Endocrinologia Pediátrica por semana, uma carga horária bem interessante para um ambulatório geral; e víamos pacientes com as mais diversas questões endócrinas: alterações do crescimento, da puberdade, doenças tireoideanas, adrenais, testiculares, ovarianas, hipofisárias, do metabolismo ósseo...

Uma pessoa com especialização em Endocrinologia está habilitado a atender crianças. Mas o atendimento pediátrico tem peculiaridades que o adulto não tem. Questões que envolvem a vida neonatal, crescimento, puberdade, cálculos de dose por peso, por superfície corporal não são a rotina da clínica adulta.

Quando terminei a residência, continuei no serviço, sob supervisão das staffs, orientando os novos residentes no ambulatório de Endocrinologia Pediátrica. Esse tempo de experiência me credenciou para, dois anos depois, eu fazer a prova para obter o Certif**ado de Área de Atuação em Endocrinologia Pediátrica.

Não é uma questão burocrática.
É uma questão de treinamento e educação continuada, de experiência em entender o que está acontecendo com a criança, em pensar os diagnósticos prováveis e em programar as condutas terapêuticas cabíveis.

Por isso, desde então eu posso dizer:
eu sou Endocrinologista e atendo crianças;
eu sou Endocrinologista Pediátrico.

23/04/2026

Quando, na cerimônia de abertura do 10° EBEP, Luiz Claudio de Castro fala de ponte, ele está falando de uma ponte, a ponte Juscelino Kubitchek, símbolo de Brasília e estilizada na marca do congresso; mas, ao mesmo tempo, não está falando só de uma ponte que leva de um lado para outro do lago Paraná: ele fala de cruzar caminhos, ele fala de atravessar conhecimentos. Ele fala também da ponte, refletida no espelho d'água, como metáfora de sua forma, as duas hélices de uma molécula de DNA.

A imagem concreta e a imagem poética, unidas em dar signif**ado a esse grande Encontro Brasileiro de Endocrinologia Pediátrica.

Não por acaso o subtítulo do evento: Cuidar é ciência e arte!

Feliz de ter trazido alguns exemplares de Metabologia - Poética da Transmutação para fazer um pré-lançamento nesse caldo de ciência poética, de poesia científ**a.

08/04/2026

O unboxing mais esperado dos últimos tempos!

Eu sei o que é, mas quero ver como ficou.
Vem descobrir comigo!

28/02/2026

Você sabe o que é sentir fome, muita fome?

Você sabe o que é sentir muita fome e do outro lado de fora da porta de casa haver uma enchente de doces?

Você sabe o que é sentir tanta fome, estar tão perto de tanto doce, e a porta e as janelas de casa estarem trancadas, sem chave?

Você sabe o que é sentir tanta fome, tanta que você precisa quebrar parede, móveis, a estrutura da sua casa, para transformar em comida, mesmo que logo ali atrás da porta trancada tenha tanto tanto doce?

Eu poderia estar falando de uma questão social grave, que diz respeito ao acesso ao alimento no meio de tanta fartura.

No entanto, de forma metafórica, é precisamente o que acontece no organismo de uma pessoa com diabetes tipo 1 descompensado.

A insulina é a chave.
Na falta de insulina, todo açúcar se acumula do lado de fora das células, enquanto o lado de dentro assiste impotente toda aquela enxurrada doce sem poder aproveitar.
A célula precisa gerar energia para suas atividades. Na falta de glicose, começa a utilizar seus estoques de glicogênio, e depois a quebrar gorduras e proteínas estruturais para transformar em glicose e corpos cetônicos.

Daí os sintomas: perda de peso rápida, fraqueza, cansaço, fome.

O sofrimento é não ter disponível o que existe em excesso. A miséria em meio à abundância.

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