Beleza Cetim

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Elegância em cada toque, uma experiência de luxo para mulheres que buscam o melhor em beleza!

18/11/2024

Como os bilhões de micróbios em nossa pele mantêm nossa saúde

Nossa pele abriga uma superpopulação. Se observarmos de perto qualquer centímetro quadrado de pele do nosso corpo, iremos encontrar entre 10 mil e 1 milhão de bactérias vivas.

Nosso corpo é coberto por um vibrante ecossistema microbiano. Parece ser nojento. Mas será mesmo?

Existem cada vez mais evidências de que a microbiota da nossa pele, na verdade, desempenha papel fundamental para nos manter saudáveis, além de oferecer outros benefícios surpreendentes.

Por isso, é melhor procurar saber mais antes de procurar aquele sabão bactericida.

Já se comprovou que a diversidade deste conjunto de bactérias, fungos, vírus e outros organismos unicelulares desempenha papel importante em uma série de doenças, como diabetes, asma e até a depressão.

Mas os micróbios que pegam carona na nossa pele também podem nos trazer benefícios. Eles oferecem a primeira linha de defesa contra os patógenos que tenham a infelicidade de pousar sobre a superfície do nosso corpo.

Os micróbios da pele também ajudam a decompor parte das substâncias químicas que encontramos no nosso dia a dia e participam do desenvolvimento do nosso sistema imunológico.

Em termos de diversidade bacteriana, o microbioma da pele só perde para os nossos intestinos.

Quando paramos para analisar, é algo bastante surpreendente. Afinal, em comparação com os habitats seguros, quentes e úmidos da nossa boca e intestino, a pele é um lugar bastante inóspito.

"A pele é um ambiente muito hostil, em comparação com outras partes do corpo", explica a professora de cura de feridas Holly Wilkinson, da Universidade de Hull, no Reino Unido.

"Ela é seca, árida e muito exposta aos elementos. As bactérias que vivem ali evoluíram por milhões de anos para enfrentar essas pressões", acrescenta.

Essa evolução conjunta nos trouxe muitos benefícios.

Nem todas as partes da pele são colonizadas igualmente. Na verdade, as bactérias podem ser surpreendentemente criteriosas em relação aos lugares onde elas preferem viver.

Se você passar um cotonete pela sua testa, pelo nariz ou pelas costas, você irá descobrir que estas áreas estão repletas de Cutibacterium, um gênero de bactérias que evoluiu para se alimentar do sebo oleoso produzido pelas células da nossa pele. Elas ajudam a umedecer e proteger a camada externa do nosso corpo.

Mas pegue uma amostra das suas axilas, quentes e úmidas, e provavelmente você irá encontrar grandes quantidades de Staphylococcus e Corynebacterium. Examine entre os dedos dos pés e lá haverá muitas espécies de Propionibacterium. Algumas delas são utilizadas na produção de queijo, ao lado de uma ampla variedade de fungos.

Regiões secas da pele, como os braços e as pernas, são particularmente inóspitas para as bactérias. Por isso, as espécies que moram ali não costumam ficar por muito tempo.

Estas regiões também tendem a abrigar uma maior proporção de vírus do que outras áreas externas do corpo. E, naturalmente, a nossa pele também abriga outras criaturas, como os minúsculos ácaros.

Benefícios

Todos esses micróbios formaram, ao longo de milênios, uma espécie de relação simbiótica com os seres humanos.

As bactérias, fungos e ácaros que vivem na nossa pele se beneficiam do fornecimento constante de ricos nutrientes. Mas nós também dependemos do nosso microbioma da pele, pois as espécies benéficas nos ajudam a repelir as bactérias patogênicas prejudiciais que competem com elas.

"A simples existência de todas essas bactérias faz com que seja muito difícil que um patógeno se estabeleça", explica Wilkinson.

"Qualquer bactéria que chegue precisa ser capaz de subjugar o sistema, mas, para isso, ela precisa concorrer com as bactérias altamente evoluídas que já estão naquele ambiente."

As bactérias da pele também podem combater possíveis invasores, produzindo substâncias que inibem seu crescimento ou matando a todos diretamente.

As espécies Staphylococcus epidermidis e Staphylococcus hominis, por exemplo, são bactérias comensais e dependem de nós e de outros animais para abrigá-las. Elas produzem moléculas antimicrobianas que inibem o Staphylococcus aureus, uma espécie de bactéria prejudicial para os seres humanos. Ela é uma fonte comum de infecções da pele e é associada a infecções resistentes à meticilina (SARM).

Alguns cientistas também acreditam que, como a microbiota intestinal, o microbioma da pele ajuda a "treinar" nosso sistema imunológico durante a infância. As bactérias ensinam quais alvos ele deve atacar e quais ignorar.

Acredita-se que exista, por exemplo, uma relação entre a diversidade de certas bactérias da pele e o menor risco de sofrermos alergias.

O microbioma da pele também desempenha outras funções importantes. Acredita-se, por exemplo, que certas bactérias podem nos ajudar a manter a aparência jovem, retendo a umidade. Isso mantém a nossa pele maleável, suave e carnuda.

Para impedir a entrada de toxinas e patógenos nocivos e a saída da água, nossa pele contém diversas camadas.

A mais impenetrável de todas é a camada superior. Chamada de stratum corneum, ela é formada por células mortas chamadas corneócitos, intercaladas com moléculas de gordura conhecidas como lipídios.

"Ela é muito firme e impermeável e é por isso que nós não nos dissolvemos quando saímos na chuva", explica a professora de dermatologia translacional Catherine O'Neill, da Universidade de Manchester, no Reino Unido.

Abaixo do stratum corneum, temos diversas camadas de células vivas da pele chamadas queratinócitos. E existem espaços minúsculos entre essas células da pele, através das quais poderia vazar água. Para evitar que isso aconteça, os queratinócitos produzem lipídios, que ajudam a repelir a umidade.

"É meio que uma estrutura de tijolos e cimento", segundo Wilkinson. "Você tem as células e, entre elas, todos esses lipídios que também agem como parte da barreira. Eles atuam como uma cola que mantém tudo unido."

Mas onde entram as bactérias em tudo isso? Bem, acontece que algumas das bactérias mais úteis que vivem na nossa pele não só produzem lipídios, mas enviam sinais que instruem as nossas células da pele a também produzirem mais lipídios.

Estudos demonstraram, por exemplo, que as bactérias Cutibacterium estimulam a pele a produzir maior quantidade de sebo, que é rico em lipídios e reduz a perda de água, aumentando a nossa hidratação.

Já a espécie Staphylococcus epidermidis também aumenta os níveis de ceramidas da pele, que são lipídios que agem como uma cola que mantém juntas as células da nossa pele juntas. Com isso, nossa barreira dérmica permanece saudável e intacta.

Riscos

Até aqui, tudo bem. Mas o que acontece quando o delicado equilíbrio do microbioma da pele é rompido?

A "disbiose" da pele foi relacionada a condições como dermatite atópica (uma espécie de eczema), rosácea, acne e psoríase.

A própria presença de caspa no couro cabeludo é associada a um gênero específico de fungo. Os fungos Malassezia furfur e Malassezia globosa produzem ácido oleico, que danifica as células do stratum corneum no couro cabeludo, produzindo uma reação inflamatória e coceira.

Nestes casos, é difícil definir se o estado da doença é causado pelo microbioma da pele ou se o próprio microbioma da pele foi alterado em função da doença. Mas existe um fenômeno pelo qual podemos culpar as bactérias ruins, ao menos parcialmente: o envelhecimento da pele.

À medida que envelhecemos, os tipos de bactérias da nossa pele se alteram. A tendência é de termos menos espécies "boas", que nos protegem contra as infecções e ajudam a manter a pele úmida e hidratada.

Por outro lado, nós ficamos com níveis mais altos das bactérias patogênicas prejudiciais — e isso tem implicações para a saúde da pele.

"As pessoas mais idosas tendem a ter pele mais seca, que é associada a menores quantidades dos tipos de bactérias que ajudam na produção de lipídios", explica Wilkinson.

"Isso gera maior risco de infecções dérmicas, por reduzir a integridade da pele. As pessoas mais idosas são mais propensas ao surgimento de feridas espontâneas porque elas perdem aquela integridade da pele."

Infelizmente, as bactérias "ruins" da pele podem também interferir na cura de feridas.

Pesquisas da professora de dermatologia e microbiologia Elizabeth Grice, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, demonstraram que ratos feridos sem microbioma da pele levam muito mais tempo para se curar.

Paralelamente, o trabalho da Escola de Medicina Hull York, desenvolvido pelos colegas de Wilkinson, demonstrou que as bactérias da pele de uma pessoa podem prever se ela irá ou não se curar de uma ferida crônica.

As feridas crônicas que não se curam são uma condição da pele que pode levar à morte. Elas afetam uma a cada quatro pessoas com diabetes e uma a cada 20 pessoas com mais de 65 anos.

"Esperamos, em algum momento no futuro muito próximo, poder usar este tipo de estratégia para identificar quais pacientes terão maior risco de desenvolver uma ferida que não se cura e oferecer intervenção precoce, antes que ela chegue ao estágio em que as pessoas podem precisar amputar uma perna ou em que elas desenvolvem uma infecção realmente desagradável", afirma Wilkinson.

De fato, certas linhagens de Staphylococcus aureus são associadas a certos atrasos de cura. Mas os mecanismos exatos por que essa bactéria patogênica interfere com a cura não são totalmente conhecidos.

"[As bactérias] Staphylococcus aureus produzem enzimas que podem ajudá-las a invadir e digerir o tecido em volta delas", segundo Wilkinson. "Mas elas também podem interferir na nossa função imunológica, fazendo com que o nosso próprio sistema se volte contra nós."

"O principal causador das dificuldades de cura de feridas crônicas é o fato de que as feridas ficam presas naquela fase inflamatória e não conseguem sair dela. Por isso, ter ali as bactérias Staphylococcus aureus simplesmente mantém esse ciclo perpétuo de inflamação."

Outros estudos concluíram que alguns micróbios da pele, na verdade, podem ser benéficos para a cura de feridas.

Existem também evidências que indicam que o microbioma da pele pode nos proteger contra parte dos efeitos prejudiciais da radiação ultravioleta. Quando a radiação UV atinge a pele, ela pode danificar o nosso DNA, mas as células da pele possuem um mecanismo de proteção embutido.

"Essencialmente, elas deixam de se reproduzir e a pele passa por uma série de verificações para reparar aquele DNA danificado", explica O'Neill. "Se ela não conseguir se reparar, as células basicamente serão mortas."

Mas, em um recente estudo não publicado, O'Neill concluiu que, se você retirar o microbioma, as células da pele continuam se dividindo, mesmo com DNA danificado.

"É evidente que este é um mecanismo de proteção muito importante contra tumores", segundo ele. "E, claramente, o microbioma parece compor grande parte deste mecanismo."

Pesquisas com camundongos também indicaram que o microbioma pode nos ajudar a modular a reação do nosso sistema imunológico à exposição aos raios UV, participando da sua preparação para combater possíveis infecções.

Sabe-se que a radiação UV suprime a nossa reação imunológica e também pode danificar a pele, oferecendo às bactérias patogênicas a oportunidade de invadir os nossos corpos. Aparentemente, os micróbios da pele ajudam a induzir a reação inflamatória à radiação ultravioleta, preparando nossos corpos para combater a infecção.

Relação entre a pele e o intestino

Existem algumas evidências que indicam que o microbioma da pele pode influenciar o intestino.

Um estudo recente demonstra, por exemplo, que as lesões da pele podem gerar mudanças significativas da microbiota intestinal, aumentando a susceptibilidade das pessoas às inflamações dos intestinos.

Estudos também demonstram que Malassezia restricta, um membro fúngico da microbiota da pele, é associada à doença de Crohn e pode exacerbar a colite.

"Todos sabem que existe um eixo entre o intestino e a pele, em que a má alimentação pode prejudicar a pele, mas a ideia de que algo que esteja errado com o microbioma da pele talvez possa causar diarreia é completamente maluca", afirma Bernhard Paetzold, um dos fundadores e principal cientista da S-Biomedic. Sua empresa procura tratar condições como a acne restaurando o microbioma da pele.

"Mas, muito recentemente, começamos a entender que esta diafonia é bidirecional e, na verdade, existe um eixo pele-intestino", explica ele.

Existe até uma teoria de que o microbioma da pele pode prejudicar o cérebro, mas esta é uma questão que ainda está sendo debatida.

Um estudo recente, por exemplo, pediu a 20 voluntários saudáveis que realizassem uma série de te**es cognitivos, enquanto era medida sua atividade cerebral. A conclusão foi que a remoção das bactérias da pele da testa aumentou o nível de atenção dos participantes.

À medida que aprendemos mais sobre o microbioma da pele e seu papel na saúde e no nosso bem-estar, surge cada vez mais entusiasmo entre os cientistas sobre o papel que ele pode desempenhar em outros aspectos das nossas vidas.

Tratamentos

Será que poderemos melhorar nossa saúde substituindo nossas bactérias ruins da pele pelas espécies boas — com uma espécie de transplante de micróbios da pele, por assim dizer?

É possível que sim. Mas, para isso, é preciso eliminar a comunidade microbiana já existente no nosso corpo, o que poderia causar outros problemas, como o risco de gerar resistência a antibióticos.

Os micróbios da nossa pele também são fortemente influenciados pelo nosso ambiente. Por isso, precisaríamos considerar como o mundo à nossa volta colabora com a diversidade de bactérias, fungos e vírus no nosso corpo.

Os próprios cosméticos que usamos podem alterar a composição da microbiota da pele, de formas que só agora estamos começando a compreender.

Algumas empresas acreditam que talvez seja possível estimular o crescimento dos micróbios "saudáveis", tratando a pele com "prebióticos" e "probióticos", para alimentar as bactérias boas, ou aplicando proteínas bacterianas ou lipídios diretamente ao rosto.

Existem poucas evidências publicadas sobre a sua eficácia, mas existem alguns sinais de que este procedimento pode ajustar o equilíbrio entre diferentes bactérias da pele.

Wilkinson também pesquisa se os vírus específicos que infectam as bactérias, conhecidos como bacteriófagos, e as moléculas que elas produzem podem ser usadas para eliminar Staphylococcus aureus de forma dirigida, sem prejudicar o restante do microbioma.

"A ideia é que, eliminando as bactérias patogênicas e permitindo a restauração da microbiota natural, é possível acelerar o reparo de feridas", explica ela.

"Tudo é muito estimulante para nós e esperamos que isso, eventualmente, leve a mudanças substanciais da nossa forma de tratamento dessas infecções", conclui.




bbc.com
Foto: Pexels

Está obcecada por cuidados com a pele? Você pode ser uma vítima da 'cosmeticorexia' 17/11/2024

Está obcecada por cuidados com a pele? Você pode ser uma vítima da 'cosmeticorexia'

Busca incessante por tratamentos pode causar até mesmo transtorno psicológico; saiba como identificar e tratar

A busca por uma pele saudável e bem-cuidada faz parte da rotina de muitas pessoas, mas quando esse interesse ultrapassa o autocuidado e se transforma em uma obsessão por alcançar uma aparência "perfeita", pode indicar um transtorno conhecido como “cosmeticorexia”.

Esse comportamento, que também é chamado de dismorfia da aparência relacionada à cosmética, leva a uma busca constante por tratamentos, produtos e procedimentos para corrigir imperfeições na pele – que, muitas vezes, são mínimas ou até mesmo inexistentes.

Transtorno pode causar sofrimento psicológico
Em entrevista ao Terra Você, o biomédico Thiago Martins explica que a cosmeticorexia "é uma obsessão por aperfeiçoamento estético, marcada por uma busca incessante por tratamentos e produtos para corrigir ou melhorar imperfeições percebidas na pele".

Martins explica que essa obsessão se diferencia de um interesse saudável pelos cuidados com a pele porque ultrapassa o limite do autocuidado. “Promove um comportamento compulsivo, insatisfação crônica e gastos excessivos”, aponta, ressaltando que o transtorno pode afetar profundamente a percepção do próprio corpo e levar a uma visão distorcida da aparência, desencadeando sofrimento psicológico.

Fatores como a pressão social por uma pele perfeita e o fácil acesso a informações e procedimentos estéticos e dermocosméticos podem contribuir para o desenvolvimento da cosmeticorexia. Além disso, condições psicológicas, como ansiedade e baixa autoestima, tornam algumas pessoas mais vulneráveis ao transtorno.

“A procura incessante por produtos e tratamentos alimenta um ciclo de insatisfação e insegurança”, diz o profissional. Em vez de trazer confiança, essa busca pode piorar a percepção de si mesmo e aumentar o desconforto com a imagem, gerando ainda mais ansiedade e reduzindo a autoestima.

A identificação precoce dos sinais de cosmeticorexia é importante para prevenir que o transtorno afete ainda mais a saúde mental e física. Entre os principais sinais estão a fixação em imperfeições que outras pessoas não notam, o uso exagerado de produtos, a troca constante de tratamentos e até evitar eventos sociais por medo de expor as “falhas” na pele.

Cuidar da mente é essencial
Para pessoas que sofrem com a cosmeticorexia, o suporte psiquiátrico é um recurso essencial. A médica psiquiatra, Cíntia Braga, explica ao Terra Você que a psicoeducação – ou seja, o processo de orientar o paciente sobre seu transtorno – é fundamental para que ele compreenda que as preocupações excessivas com a aparência são sintomas de um transtorno e não representam a realidade.

“Esse entendimento inicial é essencial para o sucesso do tratamento”, afirma a psiquiatra.

Uma das abordagens terapêuticas mais eficazes nesse contexto é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ajuda o paciente a reconhecer e modificar pensamentos distorcidos sobre sua aparência. Técnicas de exposição e prevenção de resposta, por exemplo, são utilizadas para reduzir comportamentos compulsivos e lidar melhor com a ansiedade que envolve a própria imagem.

“Em alguns casos, o tratamento medicamentoso pode ser indicado, especialmente se houver sintomas intensos de ansiedade ou depressão”, explica a médica, destacando a importância do acompanhamento de um psiquiatra para avaliar os benefícios e efeitos colaterais dos medicamentos.

Outra opção terapêutica é a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), que incentiva o paciente a aceitar suas percepções e emoções em vez de lutar contra elas. “Na ACT, o foco está em desenvolver a capacidade de aceitar a própria aparência e redirecionar a energia para valores e atividades significativas”, esclarece a psiquiatra, observando que o objetivo é promover uma vida mais satisfatória para além da imagem corporal.

Para completar, o apoio de familiares e amigos é crucial no tratamento. Segundo Braga, essas pessoas devem ser orientadas para que compreendam o transtorno e saibam como oferecer um suporte efetivo, evitando julgamentos e incentivando a adesão ao tratamento.


terra.com.br

Está obcecada por cuidados com a pele? Você pode ser uma vítima da 'cosmeticorexia' Busca incessante por tratamentos pode causar até mesmo transtorno psicológico; saiba como identificar e tratar

17/11/2024

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16/11/2024

Peeling de fenol não é indicado para pessoas negras; entenda os riscos

Após morte polêmica de empresário, especialistas explicam quais os perigos do procedimento e quem está habilitado em realizá-lo

O empresário Henrique Silva Chagas, de 27 anos, morreu em São Paulo após ser submetido a um peeling de fenol. A repercussão da morte trouxe à tona o debate sobre quem está habilitado a executar o procedimento, ou seja, qual a formação acadêmica necessária e por quê o peeling de fenol não é indicado para peles negras.

Segundo a dermatologista Ana Luiza Monteiro, da Ayô Saúde – clínica médica que atua no atendimento afrocentrado – o fenol tem sido utilizado como peeling profundo tanto isoladamente, quanto em associação com outros componentes. No entanto, é fundamental tomar cuidado, pois apenas médicos podem realizar o procedimento.

Ana Luíza enfatiza que a substância fenol produz a coagulação das proteínas da pele, que resulta em um processo inflamatório, gerando, assim, uma renovação celular intensa.

“Logo, devido a possibilidade de toxicidade renal e cardíaca, o peeling de fenol deve ser evitado em pacientes que apresentem algum grau de doença cardíaca, renal e hepática, histórico de herpes, exposição contínua aos raios UV, uso recente de isotretinoína, predisposição a queloides e em peles de fototipo IV a VI [mais escuras]”, destaca a dermatologista.

Em peles negras, devido ao processo inflamatório causado pelo fenol, alterações – como hiperpigmentação – podem acontecer, causando manchas.

“Além disso, pode ocorrer também outras complicações como: infecção bacteriana, edema e vermelhidão prolongados, hipopigmentação – pela toxicidade do fenol ao melanócito –, e até mesmo surgimento de cicatrizes nas regiões dos lábios e pálpebras”, ressalta a dermatologista.

Segundo a médica, atualmente existem outros procedimentos mais seguros do que o peeling de fenol, como lasers, terapia fotobiodinâmica, peelings médios para promoção do rejuvenescimento cutâneo, melhora das manchas e rugas finas, com pouco efeito colateral e melhor tempo de recuperação “especialmente quando tratamos pele de fototipo mais altos, como a pele negra”.

O que o esteticista pode fazer?
A influencer Natalia Becker, responsável pelo procedimento realizado em Henrique Silva Chagas, não tem formação acadêmica em nenhuma área da saúde ou de estética. Segundo a polícia, ela assistiu somente a um curso livre na internet que ensinava a aplicar o produto.

A esteticista Zarah Flor Rizzo, especializada em peles negras, explica à Alma Preta que para garantir resultados seguros e eficazes é fundamental escolher um esteticista qualificado – e fugir daqueles que se dizem habilitados a aplicar o fenol.

“Verifique se o profissional possui formação adequada e certificações reconhecidas na área de estética, prefira profissionais com experiência comprovada e que sejam especializados nos tratamentos que você deseja realizar”, sugere Zarah.

A profissional recomenda que as pessoas busquem recomendações de amigos, familiares ou leia avaliações online para conhecer a reputação do esteticista. De acordo com ela, um bom profissional sempre realiza uma avaliação inicial detalhada para entender as necessidades do cliente e indicar os melhores tratamentos.

“O esteticista é um profissional capacitado para realizar diversos procedimentos, desde os mais básicos, como limpeza de pele e depilação a laser, até os mais avançados, como peelings químicos e aplicação de equipamentos de alta tecnologia”, finaliza.





Por Caroline Nunes
almapreta.com.br
Foto: Pexels

15/11/2024

Novo medicamento pode melhorar dermatite atópica em pele negra, mostra estudo

Dados do estudo de fase 3 também demonstraram efeitos positivos do fármaco na pele de pessoas asiáticas, indígenas e latinas

Em estudo inédito, um novo medicamento mostrou efeitos positivos no tratamento da dermatite atópica moderada a grave em pessoas com peles étnicas. Na dermatologia, o termo é usado para designar indivíduos de grupos raciais ou étnicos com a pele mais escura do que a caucasiana, como asiáticos, africanos, povos originários das Américas e das ilhas do Pacífico.

O fármaco, lebriquizumabe, foi desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly and Company e os resultados do estudo de fase 3 (realizado em humanos para testar a segurança e a eficácia) foram apresentados em março na última reunião anual da Academia Americana de Dermatologia.

De acordo com o estudo, 68% dos participantes apresentaram uma melhora em, pelo menos, 75% da extensão e gravidade da doença; 39% experimentaram melhora na resolução de manchas, e 55%, alívio de coceira em regiões afetadas pela dermatite atópica.

Os resultados da pesquisa apresentada são consistentes com dados achados por outros estudos de fase 3 feitos com lebriquizumabe, o que reforça o potencial do fármaco para o tratamento da dermatite atópica moderada a grave subsequente às terapias de prescrição tópica em peles étnicas.

A dermatite atópica é uma doença crônica e hereditária que causa a inflamação da pele, levando a sintomas como manchas avermelhadas, lesões e coceira. A sua causa exata ainda é desconhecida, mas sua origem é genética. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a doença pode ser acompanhada de asma, rinite ou conjuntivite.

Já o lebriquizumabe é um anticorpo monoclonal experimental que tem como alvo a inibição da proteína (interleucina) responsável pela inflamação que resulta nos sintomas clássicos da dermatite atópica.

“Pessoas com peles étnicas são desproporcionalmente afetadas pela dermatite atópica, muitas vezes apresentando sintomas mais graves, atraso no diagnóstico e um prazo mais longo para encontrar o tratamento adequado. Elas também foram historicamente sub-representadas em ensaios clínicos, o que significa que faltaram dados relativos ao tratamento desses pacientes”, afirma Andrew Alexis, professor de dermatologia clínica e vice-presidente de Diversidade e Inclusão no Departamento de Dermatologia da Weil Cornell Medicine e principal autor do estudo.

Para Luiz Magno, diretor sênior médico da Eli Lilly do Brasil, o estudo é particularmente relevante no Brasil. “Estamos em um país no qual 55% da população se identifica como preta ou parda, como aponta o Censo 2022. Pacientes com pele étnica geralmente apresentam características cutâneas e capilares distintas, distúrbios e padrões de reação, bem como diversas práticas culturais que afetam os cuidados com a pele. Mais do que nunca precisamos de um olhar atento para elas para oferecer equidade e os melhores tratamentos”, diz. O medicamento ainda não foi aprovado no Brasil.

Como o estudo foi feito e quais foram os principais resultados?
O programa de fase 3 do lebriquizumabe consiste em cinco estudos globais que avaliaram mais de 1.300 pacientes, incluindo dois estudos de monoterapia (ADvocate 1 e 2), um estudo de combinação com corticosteroides tópicos (ADhere) e estudos de extensão de longo prazo (ADjoin) e abertos para adolescentes (ADore).

O estudo de fase 3 em pessoas com peles étnicas, chamado ADmirable, teve uma duração de 24 semanas e avaliou a segurança e eficácia do lebriquizumabe em 50 pacientes, entre adultos e adolescentes, com dermatite atópica moderada a grave e peles com diferentes tonalidades medidas pela escala de Fitzpatrick.

Para o estudo, foram incluídas pessoas que se identificam como negras ou afro-americanas (80%), asiáticas (14%), indígenas americanas ou nativas do Alasca (6%), com 11 participantes também se identificando como hispânicos/latinos (22%).

Todos os participantes receberam 500 mg de lebriquizumabe, por via subcutânea, inicialmente. Depois de duas semanas, receberam mais 250 mg a cada duas semanas até a semana 16.

Os pesquisadores avaliaram a utilização do medicamento através de medidas de pigmento, eritema e hiper e hipopigmentação pós-inflamatória. O estudo também incluiu uma avaliação médica das alterações na pigmentação pós-inflamatória usando a escala PDCA-Derm.

Os resultados após esse período foram consistentes com os resultados dos estudos ADhere e ADvocate 1 e 2, realizados com o mesmo período de duração. O estudo ADmirable demonstrou que:

68% dos participantes experimentaram melhora significativa em pelo menos 75% da extensão e gravidade da doença;
46% dos indivíduos experimentaram, pelo menos, 90% de melhora na extensão e gravidade da doença;
39% alcançaram resolução ou quase resolução total das manchas causadas na pele pela dermatite atópica, com redução de pelo menos dois pontos em relação à linha de base;
55% das pessoas experimentaram alívio clinicamente significativo de coceiras.
“Lebriquizumabe é o primeiro tratamento investigativo para dermatite atópica a divulgar dados robustos de eficácia especificamente para essa parcela da população que pode enfrentar barreiras ao tratamento ou cuidados desiguais”, diz Mark Genovese, vice-presidente sênior de Desenvolvimento de Imunologia da Lilly. “Por meio de ensaios clínicos como este, esperamos entregar mais avanços para melhorar a vida das pessoas que foram desassistidas.”

De acordo com o estudo, não foram notificados eventos adversos graves. Os resultados completos de eficácia e segurança serão compartilhados em congressos futuros. Há, ainda, o estudo feito em pacientes previamente tratados com dupilumabe (ADapt), cujos resultados devem ser compartilhados no final de 2024.

Por Gabriela Maraccini
cnnbrasil.com.br
Foto: Pexels

15/11/2024

Estudo alerta para os desafios do diagnóstico e do tratamento da psoríase

Doença crônica, imunomediada, sistêmica (que impacta todo o organismo), não contagiosa e que pode se tornar incapacitante se não tratada adequadamente, a psoríase atinge, em sua maioria, pessoas jovens – de 20 a 40 anos – em plena idade produtiva. No Brasil são mais de 2,6 milhões de pessoas que convivem com a doença que tem como características sintomas como prurido, dor, ardor, sensação de queimação, espessamento da pele e lesões que dificultam as atividades do dia a dia, a rotina do trabalho, os momentos de lazer e as relações sociais.

Mas ainda é desconhecido o contingente de pessoas de peles pretas, pardas e asiáticas, que pode estar sofrendo com a condição há anos sem saber. “Na prática clínica observa-se que pessoas de pele preta, parda, asiática, entre outras etnias, levam até 3x mais tempo para o diagnóstico correto, o que pode representar décadas”, alerta o dermatologista Anderson Costa, especialista em pele negra. O que se sabe é que a doença é mais facilmente identificada em pessoas brancas porque o eritema, que é a vermelhidão da pele, é mais aparente nesses indivíduos. Isso pode tornar mais difícil para os profissionais de saúde identificarem áreas que estão ativamente inflamadas. “A diversidade limitada de tons de pele em estudos clínicos e a falta de treinamento na apresentação da doença em todos os tons de pele para profissionais de saúde podem afetar o diagnóstico da doença”, afirma o especialista.

Estudo

Para estimular o diálogo sobre esse tema e atender as necessidades de médicos e potenciais pacientes, a Johnson & Johnson acaba de divulgar dados inéditos do VISIBLE, estudo pioneiro que aborda a falta de inclusão e diversidade em ensaios clínicos e traz soluções para os desafios no diagnóstico precoce. Como parte do estudo, um dispositivo de colorimetria foi usado para avaliar os tipos de pele a partir da escala Fitzpatrick, a mais famosa classificação dos fototipos cutâneos que mostra de 1 a 6 a capacidade de cada pessoa em se bronzear, assim como, sensibilidade e vermelhidão quando exposta ao sol. Durante o estudo foram capturadas imagens de psoríase em placas moderada a grave nas seis classificações da escala para apresentar uma biblioteca abrangente de fotos reais de pacientes.

As manifestações da psoríase em peles pretas, pardas, asiáticas e de outras etnias, são diferentes das que ocorrem nas peles brancas. Por isso é comum que esse paciente, assim que consegue o diagnóstico, seja subtratado. “Por falta de dados, o especialista pode acabar classificando a doença como leve, quando na verdade ela pode já estar na fase moderada a grave. Principalmente na pele preta, onde as lesões são menos aparentes”, explica Anderson Costa e complementa, “as fotos em alta qualidade trazidas pelo VISIBLE vão ajudar na melhora da visualização das lesões e apoiar o treinamento dos profissionais de saúde na identificação em todos os tons de pele”.

Tratamento deve ser feito por toda a vida

Por ser uma doença crônica, o tratamento da psoríase precisa ser administrado durante toda a vida. Entre as terapias disponíveis estão as medicações tópicas (cremes e pomadas) e fototerapia (banhos de luz), as medicações orais e os medicamentos biológicos. Como opção terapêutica para os pacientes que apresentam psoríase de moderada a grave, cerca de 20% deles, os imunobiológicos chegaram como um grande avanço no tratamento da doença. Eles atuam em alvos específicos envolvidos no processo inflamatório, amenizando os sinais e sintomas dessa doença.

Os dados do estudo podem ajudar potenciais pacientes e profissionais de saúde, a encontrarem caminhos para antecipar o diagnóstico e o tratamento adequado. Essa população que hoje pode estar sem atendimento correto, terá possibilidades de recobrar a qualidade de vida. “O Visible nos mostrou que há uma sub-representação de minorias raciais e étnicas em estudos de certas condições dermatológicas. E isso nos motivou a estudar mais a fundo essa população e trazer mais diversidade nas pesquisas clínicas para garantir que o diagnóstico precoce e o conhecimento sobre o tratamento adequado realmente cheguem para todos”, finaliza o especialista.

medicinasa.com.br
Imagem: Pexels

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